Coitadinho!

ANTONIO R BATISTA*

Uma das maiores pragas que já se abateu sobre a humanidade é o tal do politicamente correto. Entre os seus diversos efeitos danosos destaca-se o fato de ter promovido o “vitimismo” a uma elevada categoria de pensamento social ardorosamente explorado pela classe de palpiteiros que hoje domina a academia e os meios de comunicação.

Acabo de ler um artigo a respeito do recente fenômeno do basquete americano, o jovem descendente de taiwaneses Jeremy Lin, cuja performance foi noticiada em todos os jornais por aqui. O articulista aproveita para alertar a respeito dos preconceitos e restrições adicionais que os jovens de origem asiática estariam sofrendo nas universidades, vistos como nerds pouco aptos para façanhas esportivas. Há poucos, diz ele, nas ligas principais de basquete.

Pelo que tenho visto, na seleção americana de basquete há muitos negros e poucos brancos. Será que é uma discriminação contra os brancos? Ou será porque um branquelo igual ao Larry Bird nasce apenas de vez em quando? Razões sociológicas para tantos negros buscarem no esporte e na música uma forma de ascensão social existem, mas só funciona para quem tem talento. E muitos têm.

Jeremy Lin em jogoO rapaz estudou numa das melhores universidades do mundo e foi um aluno brilhante; acabou sendo contratado por uma grande equipe e finalmente estourou como ídolo do esporte. Mas, coitadinho, às vezes “sussurravam” provocações extremamente ofensivas na orelha dele, como perguntar se não havia perdido o ensaio da orquestra, ou avisavam para abrir os olhos. Que horror! No meu tempo de esporte as provocações costumavam ser um pouquinho mais pesadas, via de regra envolvendo a genitora e outras referências impublicáveis. Gritar, não sussurrar, “abre os olhos japonês” era usado mais para brincar com amigos nisseis do que para irritar adversários. E, claro, sempre se espera que o “japonês” seja melhor de física que de futebol.

O rapaz está feliz da vida, colhendo os frutos dos seus esforços de estudante e de esportista, empolgando meio mundo, mas, claro, alguém precisa se encarregar da narrativa do “vitimismo”.

 

* DIRETOR DO INSTITUTO LIBERAL

 

Ref. imagens: Wikipédia

 

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