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Breve numa escola perto de você

JOÃO LUIZ MAUAD *

Ao fazer uma pesquisa para um artigo sobre a proibição da venda de armas de brinquedo em Brasília, deparei com um artigo deveras preocupante, de Christina Hoff Sommers, sobre a paranóia que tomou conta das escolas americanas, depois dos últimos massacres ocorridos por lá.  Seguem alguns trechos:

Como as aulas começando nas próximas semanas, os pais dos meninos devem estar se perguntando: Será que o meu filho é bem-vindo na escola? A onda de incidentes ocorridos na primavera passada sugere que a resposta é não. Em maio, Christopher Marshall, de 7 anos, foi suspenso de sua escola na Virginia por pegar um lápis e usá-lo para “atirar” num “bandido” – seu colega, que também foi suspenso. Poucos meses antes, Josh Welch, também 7, foi mandado para casa em Maryland por mordiscar os cantos de um grande morango (Pop-Tart) para moldá-lo em uma arma. Mais ou menos ao mesmo tempo, no Colorado, Alex Evans, de 7 anos, foi suspenso por “atirar” uma granada de mão em “bandidos” imaginários, a fim de “salvar o mundo”.

Em todos estes casos, os funcionários das escolas puniram as crianças por violação das políticas de tolerância zero para armas de fogo nas escolas, o que é claramente uma aplicação absurda da regra. Mas o bom  senso não é a única coisa em jogo aqui. Em nome da tolerância zero, nossas escolas estão se tornando ambientes hostis para meninos.

A política de Tolerância Zero foi originalmente concebida como uma forma de livrar as escolas de predadores violentos, especialmente depois de tiroteios horríveis em lugares como Littleton, Colorado.  Entretanto, a violência juvenil, incluindo a violência nas escolas, está em uma baixa histórica. O Bureau de estatísticas judiciárias informa que, em 2011, cerca de 1% dos estudantes com idades entre 12 e 18 relataram que foram vítimas de alguma ação violenta na escola.  Para a violência grave, o número é de 0,1%. Não é nenhum desrespeito às vítimas de Columbine ou Sandy Hook notar que, enquanto a violência pode ser atribuída a um pequeno círculo de jovens sociopatas, a maioria dos meninos não é sociopata.

Em todo o país, as escolas estão policiando e punindo a distintiva e assertiva sociabilidade dos meninos. Muitos jogos tradicionais desapareceram dos playgrounds escolares. Em algumas escolas, o “cabo de guerra” foi substituído (…) pelo “cabo de paz.” (…) Os rapazes, com poucas exceções, amam narrativas de ação. Estas geralmente envolvem heróis, bandidos, resgates e tiroteios. (…) Quando os pesquisadores perguntam aos meninos por que eles fazem isso, a resposta padrão é: “Porque é divertido.”

As escolas devem manter  códigos de disciplina e regras claras contra a incivilidade e o comportamento malicioso.  Mas que mal exige a abolição de algumas brincadeiras, ou a interdição dos super-heróis?  Os esforços para a re-engenharia da imaginação do jovem masculino estão fadados ao fracasso, mas serão um sucesso espetacular em pelo menos uma maneira. Eles vão enviar uma mensagem clara e inequívoca a milhões de estudantes:  vocês não são bem-vindos na escola.

Como o Brasil costuma desprezar os bons exemplos dos americanos e copiar todos os maus, não duvido nada que, em breve, a sanha do politicamente correto esteja fazendo o mesmo nas escolas brasileiras…

* ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

Instituto Liberal

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