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Brasil: o país do desperdício

MARCUS VINÍCIUS DE FREITAS*

Cairo, Egito

Cada país tem a sua própria idiossincrasia. Invariavelmente, os países subdesenvolvidos tendem a ser desorganizados, corruptos, com problemas de educação e infraestrutura, aliados a um ambiente desfavorável ao florescimento da atividade empresarial. O subdesenvolvimento, no caso dos países dotados de abundância de recursos naturais, é, principalmente, um estado de espírito. Nestes casos, é comum buscar um suposto e fictício inimigo externo para justificar a incompetência e incoerência domésticas.

Como é possível o Brasil, um país tão rico e abundante, ainda ser, em muitos aspectos, subdesenvolvido? Qual é o aspecto desse estado de espírito que nos leva a permanecer nesse estado letárgico em que sempre nos encontramos, apesar de, às vezes, conseguirmos romper brevemente uma inércia que quase nos aniquila?

Creio, em primeiro lugar, que o Brasil é o país do desperdício, em todos os sentidos. Gastamos horas infindáveis discutindo detalhes de somenos importância para o efetivo crescimento do País. Passamos meses discutindo CPIs, cujo resultado é sempre o mesmo. Levamos anos falando sobre o Custo Brasil e nada fazemos a respeito. Despendemos décadas falando sobre o problema de infraestrutura do País sem nada fazer. Temos um Judiciário e um Ministério Público que nos fazem perder uma quantidade enorme de tempo criando, cada vez mais, encargos para as empresas, que são as verdadeiras criadoras de emprego. Quanto àquilo que realmente importa, não temos o mesmo nível de dedicação. Somos especialistas em desperdiçar tempo e talentos.

Porto de Santos, SP

Com isto, não fazemos a nossa lição de casa, arrumando aquilo que é necessário para sermos competitivos internacionalmente. Isto se reflete em toda a nossa sociedade. Nossos portos e aeroportos comprovam que, infelizmente, o País não acordou para a nova realidade internacional, em que erros não são perdoados. O Darwinismo nunca se fez tão presente.

Agora, como combater? Em primeiro lugar, temos que aprender a valorizar o tempo. Um segundo pode parecer pouco, mais é muito para um corredor que quer bater um recorde. O brasileiro precisa entender que o futuro é construído de presentes e que, se hoje não tomarmos as medidas para crescer, amanhã continuaremos iguais. Em segundo lugar, precisamos de um plano e de estratégia. Se você não sabe para onde quer ir, qualquer estrada serve.  Ninguém sabe quais os rumos que o Brasil tomará nos próximos anos… O que queremos ser quando crescer?

Precisamos debater o futuro com uma única perspectiva: que País deixaremos para nossos filhos e netos? Creio que a resposta será sempre a mesma: um país desenvolvido e produtivo, em que as pessoas tenham a oportunidade de crescer e a economia prosperar. Um país que orgulhe o seu povo, tanto aqui como lá fora.

Nesse plano, devemos voltar às discussões importantes. Precisamos construir ferrovias, abrir os nossos portos e buscar tecnologia de ponta para que possamos fazer as coisas mais rapidamente e melhores. Precisamos encontrar os mecanismos para atrair mais capital e tecnologia estrangeira, para melhor qualificar a nossa mão-de-obra, que precisa, definitivamente, ser competitiva e livrar-se do ranço da CLT, que transformou a Justiça Trabalhista num balcão arcaico de negócios, e que nos leva a um desemprego ainda maior, desperdiçando nossos talentos e reduzindo nossa competitividade internacional.

Precisamos pensar o futuro no presente. Senão, continuaremos iguais. A vida raramente dá duas vezes a mesma oportunidade. Não podemos desperdiçar. Mais uma vez!

 

* Professor de Direito e Relações Internacionais, FAAP

in Comentário do dia do IL, 11.07.2012

 

Ref. imagens: Wikipédia
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