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Brasil, o adolescente que quer ser gente grande

Mauricio Sá *

O risco que qualquer pessoa incorre em atravessar determinada fase de sua vida saltando etapas é demasiado temerário, pois haverá grande possibilidade de algo dar errado adiante. Como um adolescente que quer tornar-se adulto sem ter tido as devidas experiências e, sobretudo, as corretas e necessárias admoestações para lograr tal maturidade.

Dito isto, chamo atenção para o que ocorreu no Brasil durante o (des)governo do presidente Lula (2003 – 2010). O boom vivido pelo nosso país foi algo inequívoco. De fato, houve avanço em alguns indicadores – embora isso, na minha opinião, nada tenha a ver com decisões do Planalto, mas sim por fatores exógenos -, o que trouxe a reboque algum sentimento pueril de achar que agora fazíamos parte dos protagonistas do mundo: ledo engano. Lula fez o brasileiro sentir isso. Felizmente, apenas o cidadão menos atento e mais entusiasmado subscreveu esta ideia fictícia. O PT e sua extraordinária máquina de propaganda (frio na barriga quando falo de máquina, propaganda e esquerda) conseguiu ludibriar muitas pessoas, não apenas no Brasil, mas também mundo afora. O ditado é velho, mas serve como um antibiótico para uma infecção, mentira tem perna curta, e como tem! O Brasil passou pela fase adolescente de sonhar alto (precocemente) para retornar à realidade de quem não quer assimilar o fim da festa e que aquilo fora apenas passageiro. Sem fazer as reformas necessárias – leia-se aqui períodos de castigos, punições e responsabilidades que um pai severo aplica e incuti a um filho quando quer que o mesmo amadureça – o Brasil passou a fase de bonança apenas pensando em diversão e gastos exorbitantes, esquecendo-se de que, inexoravelmente, a conta chega um dia e o preço pode ser demasiado alto.

Em 2009, após ganhar capa da revista britânica Economist, maior autoridade em economia do mundo, o Brasil do senhor Lula começou a vislumbrar patamares inimagináveis, ávido em querer abraçar o mundo com braços muito curtos. A compulsão desmesurada por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU tornou-se praticamente “meta de governo”. Acontece que se esqueciam de ilustrar um Brasil que não dispunha, e não dispõe, de material bélico para sequer uma semana de guerra; que 70% da nossa frota aeronáutica estava, e continua, no chão, somando-se o fato de que o restante é sucata das décadas de 80 e 90. Simplificando: o Brasil queria entrar na maior comissão de segurança do mundo apenas com um canivete em mãos e com discurso de “eu amo todo mundo”, até mesmo Fidel Castro e Ahmadinejad – agora Rowhani (atual presidente do Irã). Cômico se não fosse triste. Fizeram-nos pensar que galgar o lugar de 6ª economia no planeta ultrapassando a Inglaterra, que conseguia fazê-lo com quase ¼ da nossa população, era algo bom e passivo de aplausos. Tentaram fazer-nos crer que éramos autossuficientes em petróleo. Pura ilusão, o Brasil importa petróleo até hoje! Induziram-nos a acreditar que havíamos pago toda nossa dívida externa. Falácia, apenas houve um malabarismo contábil entre a dívida interna e a externa. Ou seja, uma torrente de distopias propagandeadas pelo governo em forma de sucesso. Como no mundo não há espaço para perdedores – ou bolivarianos, que é quase a mesma coisa, a resposta veio exatamente de quem alardeou o “sucesso” do Brasil, a Economist, só que agora de forma diametralmente oposta, fazendo sátira com nossa pátria amada estampando uma capa emblemática do Cristo Redentor caindo na Baía de Guanabara em fumaças, a demonstrar que o Brasil deu pane e não funcionou. O grande economista Roberto Campos achava que até o fim de seus dias veria o Brasil “no clube dos ricos entrando, finalmente, para o jóquei clube”. Infelizmente, ele viveu até seus 84 anos sem ver seu sonho materializado.

Não se pode entrar para o seleto grupo de países ricos e desenvolvidos ocupando a penúltima colocação em educação no mundo; ficando atrás de Colômbia, Argentina e Bulgária. Lastimável! É impossível ter um sentimento de auspiciosidade quando ocupamos a 88ª posição no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da Organização das Nações Unidas – o curioso neste indicador é que até mesmo a miserável Cuba está à frente do Brasil, em 55º lugar. Ademais, enxergo um oxímoro – no sentido mais literal da palavra –  de saltar os olhos quando temos um ex-presidente da República aspirar e fazer campanha pelo mundo no intento de ser laureado com o Nobel da Paz, quando ele governou um país que possuí uma assustadora taxa de homicídios que, em quantidade, deixa qualquer ditador genocida da África parecer um “bom moço”.

Resumo da triste ópera é o seguinte: o Brasil talvez tenha, de fato, sido abençoado com alguns privilégios – como o de recursos naturais em abundância – que o deixa como grande potencial à frente de vários países do mundo à partida. Mas isso por si só não o faz realmente grande, a não ser no tamanho. Ocorre, e a história nos demonstra claramente, que não basta apenas ter qualidades, é necessário saber aproveitá-las e, principalmente, administrá-las numa trajetória liberal (no seu sentido clássico) e não o contrário dela, o que, infelizmente, ocorre hoje no Brasil. Isso me remete refletir acerca da quantidade de gênios que o mundo deixou de conhecer porque os mesmos não conseguiram consubstanciar talento em sucesso. Como salientou, de forma lapidar, o intelectual estadunidense Thomas Sowell: “é preciso grande sabedoria para perceber a extensão da própria ignorância”. E é disso que o Brasil necessita, entender a dimensão da própria ignorância e pequenez para deixar a arrogância de querer mudar o mundo enquanto ainda não consegue nem mesmo arrumar a própria casa. O problema já foi diagnosticado. Ele tem cor, forma e nome. É vermelho, tem formato de estrela e chama-se PT. Mas não basta encontrar, é preciso expurgá-lo!  Enquanto isso não acontecer, seremos apenas vistos como adolescentes histéricos em busca de atenção dos adultos maduros e bem sucedidos do mundo que nos ignoram.

* Mestrando em Ciência Política na Universidade Nova de Lisboa.

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