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“Bom mesmo era quando se mandava cartas”

Guilherme Dalla Costa*

Quarta parte da série “Mitos sobre as privatizações em que você provavelmente ainda acredita”

Não se pode falar em privatizações sem falar na queda da qualidade dos serviços e no aumento dos preços. Um dos argumentos é o seguinte: a empresa do Estado cobra um determinado preço, e a privada cobra esse mesmo preço mais a sua margem de lucro. Até que ponto isso é verdade?

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Podemos começar falando sobre a desestatização do setor de transporte ferroviário. A Rede Ferroviária Nacional, fundada em 1957, foi privatizada em 1996. Hoje, o número de acidentes caiu em 80% e o volume de carga transportado dobrou – isso sem falar que o setor foi de um prejuízo de 4 bilhões de reais anuais para um lucro de 2 bilhões! E isso é agora: entre 1997 e 2011 foram investidos 30 bilhões de reais na recuperação e expansão da malha ferroviária, e nós colheremos os frutos disso nos próximos anos. A América Latina Logística, muito presente no Rio Grande do Sul e a maior investidora, transporta hoje sete vezes mais do que em 1997!

Outro exemplo é o setor de energia. O governo controlava (e controla) o grosso da produção de energia nacional. O resultado? Em 2001 e 2002, após décadas de negligência, tornou-se frequente haver “apagões”. Tanto nesses anos quanto hoje, a culpa disso é predominantemente por falha da infraestrutura. A privatização de parte do setor elétrico acabou com isso, pois não era de interesse das distribuidoras que seu produto – a energia – deixasse de ser vendido. Hoje, com nova interferência do governo no setor de energia baixando a tarifa elétrica (que só beneficia realmente grandes indústrias) e dando subsídios – ou seja, dinheiro fácil, independente da qualidade do serviço – passamos novamente por um risco de blecaute. Coincidência?

O caso mais emblemático, porém, é o da comunicação. Ela foi muito mal feita, e nós substituímos um monopólio por um oligopólio. A Telebras cobrava caríssimo pelas linhas, demorava para instalar, o serviço era péssimo. Mesmo trocando um modelo sem competição por outro de pouca competição, a melhora nos serviços é imensurável. Se em 2002 o país possuía 1.7 milhão de linhas telefônicas, hoje ele possui mais de 250 milhões, ou seja, há mais de um telefone para cada brasileiro! Desses, 50 milhões são aparelhos com 3G. E o preço? Enquanto a inflação acumulada entre 2005 e 2011 foi de 35%, o preço da tarifa telefônica subiu meros 8%. Não satisfeitas, as empresas de telefonia oferecem serviços de internet para 50% da população brasileira. Dá pra dizer que não melhorou? Mas podia melhorar muito mais, se nos livrássemos da Anatel, que é um órgão ligado ao nosso querido governo.

*Acadêmico de Economia na UNIFRA, e escreve para o site do Clube Farroupilha

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