A avaliação das universidades

 

FRANCISCO LACOMBE *

Formandos, Brown UniversitySe o objetivo comum das universidades deve ser fazer o aluno aprender e, se possível, inovar, os sistemas atuais de avaliação são totalmente inadequados. Pecam por avaliarem meios e não fins. O antigo Provão, com todas as suas deficiências, media o objetivo final: o que os alunos sabem, isto é, aquilo que deveria ser medido e, com alguns aperfeiçoamentos, seria um bom instrumento de avaliação.

Avaliar pela titulação dos docentes é absurdo. Como disse o especialista Eric Hanushek, em recente entrevista a Veja: as pesquisas não deixam dúvidas: os PhDs não apenas não são necessariamente os melhores professores, como muitas vezes figuram entre os piores. A razão é simples: o foco de um curso de doutorado é bem diferente dos assuntos que os alunos de um curso de graduação devem aprender. Os assuntos de interesse de um doutor não são os que serão mais úteis para um aluno de graduação de administração, medicina ou direito.

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Existe um ditado de sociologia que diz: “em qualquer tipo de atividade humana, as pessoas fazem aquilo que elas sabem e não o que deveriam fazer”. Em educação isso se traduziria da seguinte forma: “os professores ensinam o que eles sabem, que nem sempre é o que os alunos deveriam aprender”.

Além disso, a avaliação deveria ser feita por uma entidade independente e não pelo MEC, que é o responsável pelas universidades federais.

Como a avaliação é feita pela titulação dos docentes, as universidades federais só podem contratar doutores, em virtude de norma baixada pelo ministro Aloísio Mercadante: mais uma regra que inibe a livre escolha dos melhores. Isto poderia ser válido para áreas como matemática, física e química, mas administração, direito e engenharia dependem mais da prática do que da teoria.

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Como disse Peter Drucker, o guru dos gurus da administração: “management is a practice rather than an art or a science”.

Na realidade, é a complementaridade dos conhecimentos do corpo docente que cria a sua força e permite a diversidade dos conhecimentos a serem adquiridos pelos alunos.

Os bons professores são principalmente bons didatas: sabem motivar os alunos, sabem escolher os assuntos que os alunos devem aprender, sabem conduzir a turma no decorrer da aula. Atualmente, quase todas as informações estão disponíveis na internet, nas bibliotecas, etc. O professor deve ser principalmente um bom didata.

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* PROFESSOR DE ADMINISTRAÇÃO
FONTE DA IMAGEM: WIKIPÉDIA
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Pereira Rodrigo Ramiro

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2 comentários em “A avaliação das universidades

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    04/12/2013 em 5:12 am
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    A forma, diria melhor, a arte “do ensinar” é um dom nato.

    Muitos dos professores PhD, com o vasto conhecimento adquirido, comumente supõem que seus alunos têm conhecimentos das premissas básicas para o entendimento do assunto a ser exposto, o que muito frequentemente não ocorre…

    Muito bem observado pelo Prof. Lacombe

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    02/12/2013 em 10:50 pm
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    Excelente e muito bem observado este artigo do Prof. Francisco Lacombe

Fechado para comentários.