Acordo com o Papa

RODRIGO CONSTANTINO *

O Papa está chegando no Brasil. Não se fala de outra coisa. Confesso ter até simpatia por Francisco I, um Papa que parece realmente humilde e disposto a mexer em vespeiros no Vaticano. Mas até o Papa comete seus deslizes…

Ricardo Noblat, em sua coluna de hoje no GLOBO, traz algumas passagens do Papa sobre diferentes assuntos. Não quero ensinar o Papa a rezar a missa. Quem sou eu?! Mas sobre economia, sim, acho que tenho uma ou outra palavrinha para agregar. O Papa diz:

Neoliberalismo. “A crise socioeconômica e o consequente aumento da pobreza têm suas origens em políticas inspiradas por formas de neoliberalismo, que consideram o lucro e as leis do marcado como parâmetros absolutos acima da dignidade das pessoas ou dos povos. (…)
Na predominante cultura neoliberal, o externo, o imediato, o visível, o rápido, o superficial: estes ocupam o primeiro lugar, e o real cede terreno às aparências”.
Globalização. “A globalização que uniformiza é essencialmente imperialista e instrumentalmente liberal, mas não é humana. Em última instância, é uma maneira de escravizar os povos. (…)
A globalização, como uma imposição unidirecional e uniforme de valores, práticas e bens, anda de mãos dadas com a imitação e a subordinação cultural, intelectual e espiritual”.

Não, nobre Papa, a crise não é resultado do neoliberalismo, tampouco há essa dicotomia entre lucro e pessoas. Essa passagem, aliás, ficou parecendo do Noam Chomsky. A ganância desmedida pode ser um problema sim, mas isso não é fruto do “neoliberalismo”, e sim de seres humanos sob qualquer modelo econômico. No socialismo, tal ganância é transformada em tirania da pior espécie.
Tampouco a crise foi resultado desse modelo. A crise foi resultado do excesso de intervencionismo do estado, do Banco Central praticando taxas de juros artificialmente baixas, da Casa Branca pressionando as empresas de hipoteca a emprestarem para os mais pobres em busca de votos, enfim, as impressões digitais do governo estão em todas as cenas do crime!

Globalização como instrumento liberal “imperialista”? Vossa Santidade, que isso? Parece até um marxista da Teologia da Libertação! A globalização não escraviza povo algum, ela liberta! Ela leva prosperidade, ampliação de alternativas para consumo ou estilo de vida, empregos e riqueza. Assim não, Papa…
Vamos combinar uma coisa? Eu não me meto nas questões católicas, mas o senhor evita dar pitaco em economia. Combinado? Temos um acordo?
* PRESIDENTE DO INSTITUTO LIBERAL
Instituto Liberal

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