A velha política em xeque

É incrível ver como ideologias sucumbem diante de bolsos vazios. Assíduo leitor de revistas, jornais e artigos, havia tempo que eu constatava um iminente tombo da velha política. Nomes que, nos tempos atuais, aparecem em páginas policiais e em denúncias na Justiça, antes estavam em colunas sociais ou notas de destaque.

Vimos, com clareza e muita tristeza, o rombo das contas públicas, obras superfaturadas, setores com resultados fictícios, empréstimos bilionários avalizados de formas obscuras, medidas desastrosas na economia, inflação, freio no crescimento e nos investimentos e desemprego recorde. A maneira de a população começar a mudar este cenário foi indo às urnas, oportunidade em que, pautada em sua indignação com o cenário brasileiro de falcatruas e decepção política, elegeu para Presidente o candidato que disse exatamente o que ela precisava ouvir.

Do resultado de ir às urnas com o objetivo de renovar boa parcela dos políticos eleitos anteriormente, duas situações chamaram atenção em se tratando das eleições para governadores de estados.

A primeira ocorreu no RJ, quando o ex-juiz federal Wilson Witzel, do PSC, contrariou todas as pesquisas de intenção de votos realizadas até às vésperas da eleição e garantiu mais de 40% dos votos válidos na corrida pelo Palácio Guanabara, abrindo larga vantagem sobre Eduardo Paes, antes preferido na disputa. Witzel rapidamente capturou o eleitorado conservador e foi logo apoiado por muitos eleitores de Bolsonaro. O slogan “Mudando o Rio com juízo” é sugestivo do perfil do ex-juiz: firmeza no combate ao crime e agilidade na restauração da autoridade pública.

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A segunda ocorreu em Minas Gerais. O Partido NOVO levou Romeu Zema ao segundo turno da disputa pelo governo mineiro, contrariando as expectativas das pesquisas de intenção de votos. Zema enfrentou, no segundo turno, o tucano Antônio Anastasia, deixando o petista Fernando Pimentel, queimado na opinião pública por escândalos de corrupção, fora da disputa. Logo no início do mandato, Zema mostrou transparência ao apresentar o rombo da antiga gestão e enxugou o erário da maneira que pode, inclusive cortando privilégios de governo como voos em aeronaves e a residência oficial, que mantinha 32 funcionários à disposição do governador.

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É a política que está mudando ou seriam os políticos? No Congresso, mesmo com alguns clãs ainda à frente de legendas, nomes famosos não conseguiram vencer o pleito ou não se reelegeram. A renovação política, portanto, foi maior, e hoje temos parlamentares liberais e conservadores na Câmara e no Senado. No maior colégio eleitoral do país, São Paulo, foram eleitos o Major Olimpio (PSL) ao Senado e deputados federais que ganharam influência na mídia e nas ruas, como é o caso da jornalista Joice Hasselmann (PSL) e do líder nacional do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri (DEM). O PSL fluminense elegeu Carlos Jordy, Luiz Lima e Helio Fernando Barbosa Lopes à Câmara, além de ter levado Flávio Bolsonaro ao Senado. Também pelo Rio, Paulo Ganime (NOVO) e Marcelo Calero (PPS-Livres) são políticos novatos que despertam atenção na Câmara por sua capacidade intelectual para exercer sua função. Por último, mas não menos importante, o Partido NOVO gaúcho elegeu Marcel Van Hatten à Câmara federal, político promissor e talentoso, vocacionado à defesa dos ideais de liberdade.

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Aqui, no lugar comum a todos nós brasileiros, que não usufruímos dos benefícios típicos de políticos, continuaremos dando sangue, suor e lágrimas para que, num futuro não tão distante, possamos colher frutos dessa renovação que se iniciou em 2018. Que sejam usadas mais técnicas e pensamentos lógicos do que ideologias vagas postas à mesa por grupos de pressão com interesses próprios.

*Luiz Henrique Stanger é corretor de imóveis e associado do Instituto Líderes do Amanhã.

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