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A influência das ideias de Adam Smith

O ano de 1776 foi bastante interessante para a liberdade humana. De um lado do Atlântico, os habitantes da Nova Inglaterra começaram uma revolução baseada no princípio básico de “No taxation without representation”, contra as imposições de novos tributos sem o consentimento dos colonos. Do outro lado, mais especificamente na Escócia, a obra mais importante de toda a história econômica foi publicada: A Riqueza das Nações, que esta semana completou seus 245 anos de existência.

O grande ponto da obra de Adam Smith é que a prosperidade de um país não estava baseada na oferta de ouro e sim na oferta de produtos e serviços disponíveis. Em outras palavras, o importante mesmo era a produção e não a oferta de moeda corrente (ouro), como era o pensamento comum da época – algo que irritava profundamente Smith. Vale ressaltar que seu livro é bastante raivoso, afinal, ninguém escreve uma obra de quase mil páginas para dizer que está feliz acerca de como as coisas estão indo.

Convenhamos, Smith tinha seus motivos para estar bravo. Entre suas críticas, está a noção de que a sociedade ficaria caótica sem as regras impostas por burocratas, que era o senso comum do século XVIII. Ele acreditava que uma ordem espontânea surgiria de pessoas que buscam construtivamente seus próprios interesses.

“No grande tabuleiro de xadrez da sociedade humana”, escreveu ele, “cada peça tem um princípio de movimento próprio, totalmente diferente daquele que a legislatura escolhe impor sobre ela.”

É evidente que a obra de Smith não é infalível (qual obra é?). A teoria do valor-trabalho, em que muitos economistas clássicos como ele se baseavam, foi demolida por economistas austríacos aproximadamente um século depois. Também não podemos dizer que o seu trabalho é 100% original. Alejandro Antonio Chafuen, no livro Fé e Liberdade, mostra que boa parte das “descobertas” do escocês já haviam sido feitas por pensadores católicos espanhóis da Escola de Salamanca. Na China, Zhuang Zhou já acreditava na “ordem espontânea” 2.000 anos antes de Smith.

Porém, nenhum de seus predecessores teve tamanho impacto. As ideias de Smith exerceram enorme influência mesmo antes de sua morte em 1790 – mas especialmente ao longo do século XIX. Os pais fundadores dos EUA foram profundamente influenciados por seu pensamento. A Riqueza das Nações transformou-se em uma leitura obrigatória por qualquer estudioso de economia durante décadas. Em 1900, o mundo era muito mais livre e muito mais próspero que em 1776 e, sem dúvida, o escocês é um dos que levam o crédito por isso.

Infelizmente, nem Smith escapa da cultura do cancelamento dos dias atuais. Em sua terra natal, mais especificamente em Edimburgo, as Lumenas e Felipes Netos da vida querem a remoção da sua estátua na Royal Mile. Não, o motivo não é a visão de Smith acerca da escravidão – ele era um crítico da instituição -, mas sim ele ter observado que ela estava onipresente na história humana. Desnecessário dizer que descrever um processo é diferente de concordar com ele.

Para finalizar, segue uma citação* de Adam Smith que todo mundo em Brasília deveria ler:

“A proposta de qualquer nova lei ou regulamento de comércio deve sempre ser vista com grande precaução e nunca deve ser adotada antes de ter sido longa e cuidadosamente examinada com bastante suspeita. Ela costuma vir de homens cujo interesse nunca é exatamente o mesmo do público e que geralmente têm interesse em enganar e oprimir o mesmo público.”

Sempre atual.

*Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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