A importância do medo

RODRIGO CONSTANTINO* “O medo é uma coisa boa. Se você não tiver medo, pode acabar pulando pela janela.” ___ Keith Richards   Um estudo de pesquisadores da Universidade de Iowa mostrou como a emoção de medo depende da região do cérebro denominada amígdala. A paciente estudada teve uma rara condição que destruiu essa parte do […]

RODRIGO CONSTANTINO*

“O medo é uma coisa boa. Se você não tiver medo,

pode acabar pulando pela janela.” ___ Keith Richards

 

Um estudo de pesquisadores da Universidade de Iowa mostrou como a emoção de medo depende da região do cérebro denominada amígdala. A paciente estudada teve uma rara condição que destruiu essa parte do cérebro. Os pesquisadores então observaram a resposta dela a estímulos assustadores, como casas assombradas, cobras, aranhas, filmes de terror e perguntaram sobre experiências traumáticas no passado. A conclusão foi que a paciente não estava apta a vivenciar o medo. E isso torna sua vida infinitamente mais perigosa.

Coragem, dizia Mark Twain, significa resistência ao medo, controle do medo, e não ausência de medo. O medo pode ser uma emoção crucial para nossa sobrevivência, pois nos mantém mais alertas e desconfiados. Claro que se ele ultrapassar certo limite será prejudicial. O medo que paralisa não faz bem algum ao indivíduo. O interessante é encontrar um equilíbrio em que o medo existe e funciona como constante alerta, ao mesmo tempo em que pode ser dominado pela coragem. O mérito está justamente nisso, até porque enfrentar enormes perigos sem consciência deles, sem medo, não é um ato corajoso, e sim inconseqüente.

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E o que isso tem a ver com liberalismo? Tudo! Afinal, o liberal é justamente aquele sujeito que desconfia sempre do poder, do governo, e mais ainda, ele costuma ter muito medo da concentração de poder no Estado. “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, reza o credo liberal. Ceticismo e desconfiança geram uma postura mais alerta, impedindo abusos de poder por parte dos governantes. Por outro lado, os românticos ingênuos costumam demandar mais e mais governo, pois deixam a esperança falar mais alto que o medo. Mas, como dizia Baltazar Gracián, “a esperança é a grande falsária da verdade”. Os esperançosos em demasia são utópicos e, por isso, vítimas fáceis dos oportunistas de plantão.

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Tenhamos medo do Leviatã estatal sim, pois, em primeiro lugar, ele é legítimo, devido à enorme capacidade de estrago dos governos; e, em segundo lugar, ele pode contribuir para uma maior vigilância aos governantes no poder.

*DIRETOR DO INSTITUTO LIBERAL  in ‘Comentário do dia’ .

 

VIII Prêmio Donald Stewart Jr.

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