fbpx

A gasolina vai ficar mais cara?

Sim! A gasolina vai ficar mais cara. No dia 14 de julho de 2020, a Agência Nacional do Petróleo e Gás Natural (ANP) anunciou novos padrões para a gasolina vendida no Brasil. Segundo a ANP, essas novas especificações aprimoram a qualidade da gasolina brasileira, proporcionando maior eficiência energética, melhorando a autonomia dos veículos pela diminuição de consumo e a introdução de tecnologias de motores mais eficientes, com menores níveis de emissões atmosféricas.

Em pouco mais de 5 dias, 100% da gasolina comprada pelas distribuidoras precisarão atender às novas especificações impostas pela ANP. Aliado a isso, os postos de combustíveis terão, a contar do dia 3, noventa dias para vender os produtos que receberam antes dos novos padrões se tornarem obrigatórios. Fiquei me questionando: esse tempo é suficiente? Esse número foi estipulado com base em análise de dados?

Em um período tão intenso e de crise econômica, seria mesmo necessária essa alteração neste momento? A ANP justifica que a gasolina está sendo melhorada, para que os motoristas não sintam problemas com a qualidade, não sintam perda de potência e que torne mais fácil a fiscalização quanto à adulteração do novo combustível. Até aí, tudo bem. O problema é que haverá um custo adicional (alguns centavos) no preço do litro da gasolina e, aliado a isso, a própria ANP informou que a demanda por gasolina caiu 35% em meio à pandemia.

Se a demanda está baixa, o caminho é o aumento de preço e a redução da competitividade, favorecendo a escolha por etanol? Vejamos, se a gasolina sofrerá alterações e aumento de preço, corremos o risco de os brasileiros optarem pelo uso do etanol, haja vista que os carros vendidos atualmente em nosso país são flex e permitem isso. Quanto ao comércio exterior, a nova gasolina brasileira é vista com bons olhos? Seremos a menina dos olhos? Sem contar que esse estudo foi desenvolvido em ambiente fechado e, para tanto, imagino eu, que sem envolvimento dos proprietários dos postos de combustíveis e consumidores, os quais sofrerão fortes impactos.

Seguindo essa linha de raciocínio, penso que mais uma vez fomos “obrigados” a aderir àquilo que pensaram e entenderam ser melhor para nós. Isso é o que a maioria das agências regulamentadoras do país faz com a população. Decidem por nós e se acham superiores para tal.

Como diz Locke, será que eles foram feitos de um barro diferente? Ou se originaram de modo diferente de todos os demais indivíduos? Foram providos de maior dose de inteligência? A falta de responsabilidade e comprometimento pelo resultado que se alastra em nosso governo, traz à tona esse modelo de tomadas de decisão. Um pequeno grupo, que quase sempre não é afetado, decide pelos que serão.

Mais uma vez, presenciamos o intervencionismo estatal.  Ainda que o projeto da nova gasolina tenha boas intenções, como diz o ditado: “de boas intenções, o inferno está cheio”. Não adianta somente ter boas intenções, precisamos ter argumentos plausíveis que nos permitam perceber os ganhos reais e a possibilidade de favorecimento ao cenário petrolífero do país. Nos tornaremos mais eficientes? Seremos reconhecidos por nosso produto? Iremos gerar competitividade? Conquistaremos progresso e prosperidade?

Se essas respostas forem diferentes de “sim”, então deveriam debruçar sobre a proposta e entender como criar valor a ela e a todos os demais impactados. Aqui não me refiro a interromper o fluxo de entrada do novo combustível, mas sim a buscar a sua melhor versão. Aquilo que realmente possibilitará ganhos reais ao desenvolvimento do país.

Mais do que nunca preciso avançar e os novos produtos, quando num ambiente de livre mercado, competem entre si e geram inovação, progresso e prosperidade. Afinal, é nos cenários de maior concorrência que se desenvolvem as maiores inovações.

Instituto Liberal

Instituto Liberal

O Instituto Liberal é uma instituição sem fins lucrativos voltada para a pesquisa, produção e divulgação de idéias, teorias e conceitos que revelam as vantagens de uma sociedade organizada com base em uma ordem liberal.