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A fome dos bilionários

Recentemente foram divulgadas notícias cruzadas sobre o avanço da fome e o aumento do número de bilionários pelo Brasil. Randall Lane, editor da Revista Forbes, chegou a afirmar que “a disparidade econômica crescente representa, sem dúvida, a maior ameaça à ordem social moderna”. Se, de um lado, é assustador imaginar que mais pessoas estão passando fome, de outro lado, o número de famintos seria muito maior sem a prosperidade dos empreendedores, sobretudo dos bilionários.

No Século XX, Henry Ford, foi pioneiro na montagem em série para carros, reduzindo tempo e custo de produção. Fez fortuna com isso, já que mais pessoas puderam ter acesso a esse meio de transporte. Andrew Carnegie, outro gigante da indústria americana, dedicou sua vida à produção de aço, possibilitando incalculáveis ganhos à humanidade com o moderno material. Em períodos mais recentes, Bill Gates democratizou os computadores pessoais e Steve Jobs mudou a forma de comunicação com os smartphones. Entretanto, o que essas pessoas têm em comum?

Todos eles desenvolveram revoluções com seu conhecimento e tenacidade; mas será que seu propósito era o dinheiro? Não estariam saciados dessa fome com o primeiro bilhão de dólares? Definitivamente, não.

O que impulsiona o bilionário não é ganância por dinheiro, mas sua ambição pelos benefícios inimagináveis que são capazes de entregar. Elon Musk transformou os pagamentos eletrônicos com o PayPal e se tornou bilionário. Em seguida, empregou toda sua fortuna para revolucionar o mundo dos carros elétricos, das energias renováveis e das viagens espaciais.

Algo similar nos bilionários é sua contribuição para a melhoria das condições de vida das pessoas, inclusive dos mais pobres. O sistema de capital e do livre mercado transforma luxo em cotidiano. Praticamente toda comodidade moderna já foi um luxo no passado, acessível somente aos muito ricos. Contudo, ainda resta uma questão. Faz-se mesmo necessário que essas pessoas brilhantes e grandiosas se tornem desproporcionalmente mais ricas que o restante do mundo?

Muitos diriam que a riqueza é o verdadeiro incentivo. Entretanto, ouso discordar. Caso esse fosse o grande interesse, muitos bilionários certamente teriam se aposentado ao alcançarem algumas dezenas ou centenas de milhões. O propósito não é a fome por dinheiro, mas a colossal contribuição que os torna imortais nos livros da história, sendo que o retorno pelo investimento de seu tempo e genialidade é dado pela própria humanidade.

A cada carro mais barato comprado da Ford por conta da sua linha de produção, a cada computador pessoal com o Windows e a cada smartphone adquirido da Apple, os consumidores depositaram sua aprovação a todas essas empresas e seus produtos. É um voto que agrega riqueza a quem vende e a quem compra. Entregue valor aos outros e será recompensado proporcionalmente.

Ah! Mas e os novos bilionários no Brasil? Com o banco digital Nubank, David Vélez trouxe acesso bancário barato e fácil. Guilherme Benchimol democratizou o mercado de capitais com a XP Investimentos. A StoneCo revolucionou os custos de transações com máquinas de cartão de crédito e André Street e Eduardo Pontes receberam os louros por isso. Essas renovações no sistema financeiro ajudaram principalmente os mais pobres.

No universo dos bens e serviços, Fabrício Garcia, Flávia Faleiro e Fernando Trajano conciliaram milhares de comércios com milhões de consumidores, atingindo o grupo dos novos bilionários brasileiros com sua participação na Magazine Luiza. Ilson Mateus e Maria Pinheiro, do Grupo Mateus, operacionalizaram uma imensa estrutura no ramo do atacado e varejo para milhões de pessoas. Anne Werninghaus, por meio do Grupo Weg, se favoreceu das indiscutíveis contribuições da empresa ao mundo no tocante à geração e transmissão de energia.

E quem os tornou bilionários? Todos nós. Consumidores e empreendedores brasileiros que, encontrando algum benefício em cada negócio, optamos por contratar e consumir os produtos e serviços desses grandes ricos.

Quer se tornar um bilionário? Preste um serviço de duzentos milhões de dólares a cinco desses muito ricos ou venda um produto de um dólar a dezenas de milhões de pessoas por alguns meses. A bússola do oceano do sucesso é o pagamento que o mundo deposita em suas criações. Na verdade, cada trabalhador, empregado ou empreendedor, confia no retorno financeiro seu próprio certificado de contribuição para a sociedade.

Dedique sua vida e sua genialidade a reduzir custos no agronegócio, aumentar a produtividade de comida ou a encurtar o tempo da logística. Defenda a redução da burocracia e da carga tributária em toda a cadeia produtiva de alimentos. Então essa será sua contribuição para a humanidade, de modo a saciar a pobreza dos famintos e, sem dúvidas, receber bilhões de certificados em agradecimento a todo o seu esforço.

*Bruno Buback Teixeira é Associado Honorário e membro do Comitê de Formação 2021.

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