Caso Master: quando as amizades chegam ao Ministério Público
O procurador-geral da República Paulo Gonet é citado pelo menos 33 vezes no relatório da Policia Federal divulgado por ordem de André Mendonça. Em troca de mensagens, o ex-advogado do caso Master Ciro Soares diz a Daniel Vorcaro que Gonet é “firme” e que “amizade é tudo”, além de encaminhar mensagens do procurador ao banqueiro dizendo adorá-lo e estar com saudades e combinando detalhes de viagem do grupo para Londres.
Segundo o Conselho Superior do Ministério Público Federal, com direito a uma subprocuradora integrante do órgão usando tempo do seu voto para elogiar a gentileza e os modos de Gonet, não há motivos nem para investigar o PGR nem para afastá-lo do caso Master.
No caso da investigação, o placar foi 5 a 4 pela não-investigação. O não-afastamento foi unânime.
Como disse o grande João Luiz Mauad, colega de colunismo no Instituto Liberal, fica difícil entender o que se passa na cabeça, principalmente, dos 4 que votaram a favor de uma investigação de Gonet, mas julgaram que, tornando-se investigado, mesmo assim poderia permanecer responsável pelo caso.
Não importa; nada mais precisa fazer sentido neste país. O que importa é que Gilmar Mendes celebrou efusivamente no X a vitória/blindagem de seu querido amigo. Como disse Ciro, amizade é tudo, especialmente se forem os amigos certos.



