Trump sobre a OTAN: certo e errado

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A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi fundada em 1949 para manter os alemães sob controle, os russos afastados e os americanos presentes. Os alemães precisavam ser contidos porque, em 1866, a Alemanha havia essencialmente se tornado uma Prússia ampliada após a derrota da Áustria em uma guerra contra a Prússia. O novo Reich era agressivo e perigoso, travando duas guerras ferozes contra a França e a Grã-Bretanha. No entanto, seis anos após a fundação da OTAN, em 1955, os alemães tornaram-se membros. A Prússia já não existia mais. O Reich militante havia se transformado em uma Bund pacífica. O primeiro objetivo foi alcançado. A OTAN também conseguiu manter os russos afastados. Após 1949, os russos não conquistaram novos territórios na Europa ou na América do Norte, embora, antes disso, tivessem subjugado toda a Europa Central e Oriental. O terceiro objetivo também foi alcançado após 1949: os Estados Unidos garantiram a segurança da Europa Ocidental, com sua capacidade nuclear e enorme poder militar. A paz na Europa deveu-se a eles e não à União Europeia. Mas agora, frustrado com a falta de apoio da Europa aos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o presidente Donald Trump dá sinais de que os americanos poderiam deixar a OTAN. Embora as ameaças de Trump geralmente sejam mais duras do que suas ações, os europeus deveriam se preocupar. O isolacionismo é mais a regra do que a exceção na política americana.

Os ataques não violam o Direito Internacional

Comentaristas europeus argumentam que os ataques ao Irã violam o direito internacional. Embora Hamas, Hezbollah e os Houthis sejam financiados e armados pelo Irã, esses comentaristas sustentam que os mulás não podem ser diretamente responsabilizados pelas ações específicas dessas organizações terroristas, como o lançamento de mísseis contra alvos americanos ou israelenses. No entanto, juristas respeitados, incluindo o professor Wolff Heintschel von Heinegg, rejeitam esse argumento. Segundo eles, embora os mulás tenham atuado por meio de intermediários — fornecendo inteligência, pagando salários e definindo os objetivos estratégicos dos terroristas, em vez de comandar ações específicas —, pode-se dizer que exerciam controle. Os terroristas devem ser considerados o “braço estendido” do regime iraniano. Assim, o Irã é o verdadeiro agressor nos recentes lançamentos de mísseis, o que permitiu que os Estados Unidos e Israel contra-atacassem em legítima defesa, nos termos do Artigo 51 da Organização das Nações Unidas. Em uma interpretação mais ampla desse artigo, os ataques dos Estados Unidos e de Israel também seriam justificáveis como ações preventivas contra os mulás fanáticos que estariam desenvolvendo armas nucleares e mísseis de longo alcance.

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Irã semeando o caos no Oriente Médio

É verdade que os aliados da OTAN não foram consultados sobre os ataques ao Irã (exceto, de forma peremptória, o Reino Unido). Mas a consulta prévia teria eliminado o elemento surpresa, que permitiu aos Estados Unidos e aos israelenses eliminar grande parte dos mulás e de seus capangas. Também é verdade que a OTAN é, antes de tudo, uma aliança defensiva: um ataque a um Estado-membro é um ataque a todos eles. Portanto, Trump não pode realmente culpar a OTAN por não ter vindo em auxílio dos Estados Unidos e de Israel no Irã. Infelizmente, porém, esse argumento sobre o papel restrito da OTAN foi bastante enfraquecido por sua imprudente operação de 2011 na Líbia de Gaddafi, que tinha como objetivo promover uma mudança de regime e não apenas desarmar um ditador perigoso. O poder militar iraniano é fraco demais para enfrentar as forças dos Estados Unidos e de Israel, mas suficientemente forte para semear o caos no Oriente Médio, não menos por meio do fechamento do Estreito de Ormuz, embora os próprios mulás sejam os que mais perderiam economicamente com isso.

Ameaças também à Europa

Como Trump aponta, é mais do interesse dos países europeus do que dos Estados Unidos manter o fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz. Também é do interesse dos países europeus eliminar os Houthis, que atacam navios que passam pelo Mar Vermelho, exceto os provenientes da Rússia e da China. O expansionismo russo e o fundamentalismo islâmico são ameaças à Europa. Com suas operações ousadas e surpreendentemente bem-sucedidas no Irã, os Estados Unidos e Israel reduziram significativamente esta última ameaça. Mas os países europeus já não podem depender apenas dos Estados Unidos (e de Israel) para eliminar todos os riscos à segurança regional. Os americanos precisam ver na Europa um aliado confiável e forte, que não perdeu a vontade de se defender. O desafio à frente é mantê-los na OTAN.

*Hannes Gissurarson é professor emérito de ciência política na Universidade da Islândia e comentarista frequente sobre assuntos atuais na mídia islandesa. Autor de diversas obras, é membro da Sociedade Mont Pèlerin.

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