Os defensores da liberdade estão indo na direção certa?

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Em um encontro da Mont Pèlerin Society em Marrakech, no Marrocos, entre os dias 7 e 10 de outubro de 2025, ocorreu um debate entre o professor Peter Boettke, da George Mason University, na Virgínia, e o Dr. Nils Karlson, do Ratio Institute, na Suécia, sobre o tema: o liberalismo está avançando na direção certa? Naturalmente, tratava-se do liberalismo clássico, o de Adam Smith (retratado aqui), Edmund Burke e Friedrich A. von Hayek, e não do “socialismo moderado” que recebe esse nome nos Estados Unidos. Como os participantes das reuniões da MPS não devem citar diretamente os palestrantes, acrescento aqui minhas próprias reflexões.

Esclarecimento do conceito de liberdade

A primeira tarefa dos estudiosos do liberalismo é esclarecer o que é liberdade. Trata-se sempre de liberdade sob a lei. Fora da lei, não há liberdade, nem na selva nem em uma ilha deserta. A liberdade diz respeito às áreas protegidas de cada indivíduo pela lei. Assim, ela pressupõe um certo tipo de igualdade: a igualdade perante a lei. Se alguns desfrutam de privilégios legais negados a outros — por exemplo, se apenas homens podem possuir propriedade, se apenas filhos de trabalhadores podem ser admitidos nas universidades, ou se muçulmanos pagam menos impostos do que cristãos (todos exemplos históricos) —, então a liberdade de alguns foi reduzida: respectivamente, a das mulheres, dos capitalistas e dos cristãos. Considero que a exposição mais clara da liberdade igual para todos se encontra nas obras de Herbert Spencer, Michael Oakeshott e Robert Nozick.

Tornando visível a mão invisível

A segunda tarefa é tornar visível a “mão invisível”. Os liberais precisam explicar que a maioria dos bens pode ser produzida por indivíduos que negociam no mercado livre e que a busca privada por ganhos muitas vezes está alinhada com o interesse público. Provavelmente, os únicos bens verdadeiramente públicos são a defesa e a manutenção da lei e da ordem — e mesmo este último pode, ao menos em parte, ser oferecido de forma privada (pense em cercas, fechaduras, sistemas de alarme, câmeras de segurança, porteiros, seguranças e tribunais arbitrais). Considere o farol. Durante muito tempo, ele foi um exemplo clássico de algo que o governo precisaria fornecer, já que o serviço prestado não poderia ser cobrado diretamente. No entanto, Ronald Coase mostrou que, na prática, o serviço dos faróis era cobrado como parte das taxas portuárias. As melhores explicações sobre coordenação sem comando central, na minha visão, encontram-se em Adam Smith e Friedrich A. von Hayek (que fundou a Mont Pèlerin Society em 1947).

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Revelando o custo do governo

A terceira tarefa é revelar o verdadeiro custo da intervenção governamental. Uma lei de salário mínimo leva ao desaparecimento de empregos que pagam menos do que o mínimo, atingindo com mais força a parcela mais vulnerável da força de trabalho: adolescentes e trabalhadores sem qualificação. O controle de aluguéis reduz a oferta de moradias para locação. Provavelmente, destruiu mais casas do que os bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial. A proibição de atividades consideradas imorais, como o consumo de drogas viciantes ou a prostituição, apenas as empurra para a clandestinidade e incentiva a formação de grupos criminosos. “Naturam expellas furca, tamen usque recurret. Expulse a natureza com um forcado, e ela sempre voltará. Muitas outras regulamentações produzem efeitos adversos semelhantes, que não são imediatamente evidentes. Na minha opinião, os melhores argumentos contra o socialismo e o intervencionismo encontram-se nas obras de Ludwig von Mises e Milton Friedman, apesar das muitas diferenças entre eles.

Apelo aos eleitores

Essas três tarefas cabem aos estudiosos. A rede internacional de institutos de pesquisa, a Atlas Network, inspirada por Hayek, realiza um excelente trabalho ao sugerir alternativas à intervenção governamental. No entanto, temo que a primeira tarefa tenha sido negligenciada. Além disso, as ideias precisam ser implementadas — é preciso encontrar os “cavalos” que puxem as carroças. Considero equivocada a hostilidade de alguns liberais clássicos ao nacionalismo e ao populismo. É necessário distinguir entre um nacionalismo não agressivo, que busca proteger e desenvolver o patrimônio cultural de uma nação, e um nacionalismo militante e expansionista. O indivíduo livre precisa de um senso de pertencimento: ser membro de uma comunidade que o encha de orgulho e ambição e um espaço para o exercício de suas capacidades criativas. Também deve ser feita uma distinção entre populismo bom e ruim. O bom populismo de Ludwig Erhard, Ronald Reagan e Margaret Thatcher consistia em criar um capitalismo popular e uma democracia acionária, enquanto o mau populismo apela aos instintos mais baixos das massas e tenta mobilizá-las contra inimigos imaginários. O vinho não deve ser definido pelo bêbado, assim como o populismo não deve ser definido por Hitler.

*Hannes Gissurarson é professor emérito de ciência política na Universidade da Islândia e comentarista frequente sobre assuntos atuais na mídia islandesa. Autor de diversas obras, é membro da Sociedade Mont Pèlerin.

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