250 Anos: A Riqueza das Nações

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Em 9 de março de 2026, completam-se 250 anos desde que Adam Smith publicou sua obra fundamental, A Riqueza das Nações. O livro é muito mais agradável e acessível de ler do que a maioria das pessoas imagina, repleto de análises perspicazes e insights profundos. Algumas dessas ideias, porém, não eram realmente novas na segunda metade do século XVIII. Joseph Addison (e Voltaire) já haviam celebrado os grandes benefícios da divisão do trabalho e do comércio entre as nações. Bernard de Mandeville havia descrito a ideia das consequências não intencionais, ou seja, de como os vícios poderiam, dentro de um contexto apropriado, servir às virtudes. Sem que Smith soubesse, o pastor sueco Anders Chydenius havia apresentado, em um panfleto de 1765, as duas ideias mais poderosas do livro de Smith: que o seu ganho não precisa ser a minha perda e que a ordem pode surgir sem comandos. Essas duas ideias, mesmo após 250 anos, ainda não foram plenamente compreendidas por muitos comentaristas e profetas.

Seu ganho não precisa ser a minha perda

Talvez a ideia de que o seu ganho não precisa ser a minha perda vá contra instintos profundamente enraizados. Durante milênios, a humanidade viveu em sociedades estagnadas, nas quais o ganho de alguns realmente significava a perda de outros. Mas Adam Smith explicou de forma convincente que, por meio da divisão do trabalho e do livre comércio, as pessoas poderiam aumentar a produção total da sociedade de modo que todos se beneficiassem. Os teóricos dos jogos distinguem três tipos de jogos. Nos jogos de soma zero, uma pessoa só fica em melhor situação se outra ficar em pior situação. Nos jogos de soma negativa, todos acabam em pior situação, como acontece, por exemplo, em uma guerra. Já nos jogos de soma positiva, todos saem em melhor situação. O livre comércio é um jogo de soma positiva. Os participantes se beneficiam ao dedicar-se às atividades em que são mais eficientes e, depois, trocar bens e serviços entre si. A distribuição desigual das habilidades humanas e dos recursos naturais torna essa troca eficiente e produtiva.

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Ordem sem comandos

A segunda grande ideia de Adam Smith é a da ordem espontânea. Mais uma vez, ela pode parecer contraintuitiva. Um relógio não precisa de um relojoeiro? Uma sociedade não precisa de alguém no comando, assim como um navio precisa de um capitão? Mas Smith descreveu como a ordem pode surgir por meio de incontáveis ajustes mútuos entre indivíduos no mercado, em um processo de tentativa e erro. Trata-se de uma ordem baseada em bons resultados e não em boas intenções. Seu cliente pode estar pensando apenas nos próprios interesses, mas comprará de você se o seu produto for mais barato ou melhor do que o dos concorrentes. Essa ordem permite que estranhos — talvez vivendo muito distantes uns dos outros e sentindo pouca ou nenhuma simpatia entre si — se beneficiem mutuamente. Smith fez uma distinção fundamental entre o pequeno círculo de amigos e familiares, que em alguns casos pode se estender aos vizinhos e compatriotas, governado pela simpatia e por valores compartilhados, e o mundo dos estranhos fora desse círculo, governado pelos benefícios mútuos.

O teste da realidade

O argumento de Smith em favor da liberdade econômica é amplamente sustentado pelos fatos. Todos os anos, o Fraser Institute, do Canadá, em conjunto com vários outros institutos de pesquisa ao redor do mundo, publica um relatório sobre a liberdade econômica no mundo. De acordo com o relatório de 2025, baseado em dados de 2023, as cinco economias mais livres do mundo são Hong Kong, Singapura, Nova Zelândia, Suíça e Estados Unidos. As cinco menos livres são Irã, Argélia, Sudão, Zimbábue e Venezuela. É esclarecedor dividir as economias do mundo em quartis e comparar seu desempenho médio. No quartil das economias mais livres, o PIB per capita foi, em média, de nada menos que US$ 66.434 em 2023, enquanto, no quartil das economias menos livres, foi de apenas US$ 10.751. A pobreza extrema é definida como a condição de ter uma renda inferior a US$ 3,65 por dia. No quartil das economias mais livres, 2% da população vivia em extrema pobreza, ao passo que, no quartil das economias menos livres, esse percentual era de 52%. A liberdade econômica, sem dúvida, produz resultados. Ela pode não nos tornar felizes (embora, de acordo com pesquisas internacionais, as nações prósperas tendam a ser mais felizes do que as pobres), mas torna a infelicidade mais suportável. É melhor chorar dentro de um Rolls-Royce Phantom do que de um Volkswagen Polo.

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Hannes Gissurarson

Hannes Gissurarson

É professor emérito de ciência política na Universidade da Islândia e comentarista frequente sobre assuntos atuais na mídia islandesa, além de membro da Sociedade Mont Pêlerin. Ele é mais conhecido como um ferrenho porta-voz das políticas de livre mercado ou liberalismo clássico. É bacharel em Filosofia e História e mestre em História pela Universidade da Islândia, além de PHD em Política na Universidade de Oxford.

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