O legado econômico de Milton Friedman

Milton Friedman nasceu em 1912, no Brooklyn, sendo filho de imigrantes húngaros. Foi o economista liberal mais famoso do século XX, em grande parte por lecionar na Universidade de Chicago, por seu Nobel em Ciências Econômicas em 1976 e por ter apresentado a série de televisão Livre Para Escolher, que originou um livro que sempre indico para quem quer começar leituras liberais. Era um grande comunicador da liberdade no debate público.  

Como economista, Friedman destacou-se na defesa de que os governos devem se restringir a controlar a oferta de moeda, isto é, da política monetarista. Isso contrastou com as ideias de John Maynard Keynes, que defendeu, na década de 1930, que as políticas de controle da oferta de moeda eram quase sempre ineficazes e que a alteração da oferta não afetava a economia de modo previsível. Assim, para o inglês, o foco do governo deveria se dar na composição de gastos públicos e tributação. Essas ideias eram amplamente aceitas na década de 1940, mas Friedman as colocou à prova nos anos 1950.

Ele analisou a história monetária dos Estados Unidos entre 1867 e 1960 e concluiu que a oferta de moeda afeta a produção em curto prazo e os preços em longo prazo. Portanto, a política monetária possuiria um papel valioso na condução da economia. Isso porque, ao analisar o papel da moeda nos ciclos econômicos, ele verificou que as flutuações no crescimento monetário precediam as flutuações no crescimento da produção. A partir daí, concluiu que a Grande Depressão tinha ocorrido por incompetência do Federal Reserve ao permitir a queda do volume da moeda em mais de um terço.

A política monetária, para Friedman, funcionava na medida em que uma mudança na quantidade de moeda na economia provoca um efeito previsível na renda total. Isso também contrariava Keynes, que afirmava que essa relação é instável, porque as pessoas poupavam dinheiro por motivos diferentes.

A moeda, para Friedman, era “uma morada temporária do poder aquisitivo”. É por isso que considerava a inflação uma forma de tributação (e sem legislação).

Friedman contestou, ainda, a Curva de Phillips, segundo a qual há uma relação entre inflação e desemprego. O Nobel compreendeu que era inútil aos governos tentar estabilizar o emprego com política fiscal, além de que o aumento da oferta de moeda apenas acarretavam preços mais altos. Assim, Friedman aconselhou os governos a não usarem a política monetária para manipular os mercados indiretamente, pois a probabilidade de se interpretar errado o que acontece na economia é enorme. Governos, então, deveriam limitar-se a garantir que a moeda tenha aumentos anuais modestos e constantes a fim de manter a inflação baixa. Posteriormente, Robert Lucas e Thomas Sargent revisitaram os argumentos e concluíram que os governos não possuem o poder de reduzir o desemprego estrutural (quando o número de desempregados é superior ao número de colaboradores que o mercado quer contratar e esse excesso de oferta de trabalhadores não é temporário).

A crise vivida pelos Estados Unidos nos anos 1970, vale dizer, demonstrou que Friedman estava correto porque a inflação e o desemprego aumentaram juntos – o fenômeno denominado como estagflação, que vivemos no início do segundo mandato de Dilma Rousseff.

Os experimentos monetaristas, entretanto, acabaram se mostrando de difícil execução, pois dependeriam de suposições controversas (de que existe uma demanda de moeda previsível, e a oferta de moeda pode ser facilmente controlada pelas autoridades).

A despeito disso, o impacto dos estudos de Friedman foram significativos, pois de uma prescrição política sobre a oferta de moeda as ideias passaram a ser um programa voltado para a redução do envolvimento do governo em todos os aspectos da economia.

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