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Você realmente quer ser livre?

Essa pergunta não é simples de ser entendida, nem de fácil resposta; mas, ainda que brevemente, tentarei ajudar o leitor nesse hercúleo trabalho. Então, sem mais delongas, você realmente quer ser livre ou apenas se utiliza do vernáculo “liberdade” para a adequação do seu ego social ao discurso do fácil, bonito e politicamente correto?

A princípio, é preciso delimitar o recorte semântico do que se entende por liberdade no presente contexto. Quando falo em liberdade, quero dizer que o indivíduo livre é responsável. Responsabilidade pressupõe liberdade, de forma que as consequências pela tomada de uma decisão ou a prática de um ato por determinada pessoa livre serão, só e unicamente, responsabilidade dela. Isso porque, se ela é verdadeiramente livre, ninguém pode forçá-la à prática de qualquer atitude que seja, de modo que a decisão pelo agir ou pela inércia somente poderá ser imputada ao praticante. Pressupõe-se, da mesma forma, que tal agir se encontra afastado de coerção, violência ou compulsão iniciada por outro.

Logo, consequência direta de uma maior carga de liberdade é o aumento da responsabilidade individual, visto que uma é inerente à outra. Entretanto, com frequência, tenho deparado, sobretudo nas redes sociais, com indivíduos que defendem (ou pensam defender) maior liberdade quando, na verdade, o que buscam é maior irresponsabilidade. Explico.

A primeira pergunta que esses indivíduos costumam se fazer é a seguinte: posso culpar alguém, ou dividir a culpa, pelo meu prejuízo (físico, moral, financeiro, social, amoroso etc.)? Uma resposta que evoca sempre as consequências como resultados de condutas de terceiros tende, ao mesmo tempo, a oferecer o alívio psicológico da carga que a responsabilidade impõe ao indivíduo, mas também funcionar como um inibidor da liberdade, pois deixa a cargo de outrem a responsabilidade pelas falhas individuais.

Obviamente, para que a liberdade seja perfeitamente exercida, é preciso garantir a clareza e o máximo possível de veracidade das informações, de modo que os indivíduos possam ter acesso às mesmas e, assim, exercer seu juízo de valor frente às atitudes que venham a tomar. Não estou negando aqui que certas diferenças (raciais, de gênero ou de condição financeira) influem na facilidade ou dificuldade com que o indivíduo tem acesso à informação ou na sua inserção no mercado de trabalho e na sociedade. Não é esse o tema da discussão. O que se propõe é que, cada vez mais, possamos nos responsabilizar pelas consequências de nossas atitudes, tornando-nos cada vez mais livres. A liberdade trará, como um feliz subproduto, maior igualdade na linha de saída, mas nunca igualdade na linha de chegada.

A liberdade não deve ser a arma de um discurso utilizado por demagogos e populistas para ganhar a predileção do povo ou do seu semelhante; tampouco deve ser apenas uma prescrição de política econômica. Se você age de tal forma, ainda que em um ambiente de informalidade, comece a repensar se o que você realmente deseja é a sua liberdade e a de seu vizinho. A liberdade deve ser vista como uma filosofia moral universalista e uma proposta ética que valoriza o indivíduo e suas escolhas acima de grupos específicos de qualquer natureza ou do próprio interesse do Estado. Não existe liberdade pela metade!

*Vander Giubert é associado do Instituto Líderes do Amanhã.

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