V Prêmio Milton Friedman – presidente do CATO alerta para ‘europeização’ dos EUA

Ed Crane, presidente do CATO Institute, faz a abertura da solenidade da entrega do V Prêmio Milton Friedman, em Washington, D.C. O Prêmio de 2010 foi concedido ao jornalista iraniano exilado Akbar Ganji. Na palestra de abertura, Crane chama a atenção para a ‘europeização’ político-econômica dos EUA, com a adoção, pelo governo Obama, da cultura do Estado assistencialista. A entrega do Prêmio foi em 13.05.2010.

Vencedor: jornalista iraniano exilado AKBAR GANJI 


Ed Crane abre a Entrega do Prêmio Milton Friedman 2010 

Ed Crane, presidente do CATO Institute (Washington, D.C., EUA), abre a solenidade da entrega* do prêmio bienal, criado para homenagear o Prêmio Nobel de economia e um dos mais importantes defensores da liberdade das últimas décadas. Milton Friedman faleceu em novembro de 2006. O prêmio procura reconhecer aqueles que mais promoveram a defesa da liberdade nos últimos anos. O economista peruano Hernando de Soto, autor de El Otro Sendero, um dos primeiros contemplados, teve a oportunidade de participar de solenidade de entrega que contou com a presença de Milton e Rose Friedman.

Ed Crane brinca com o auditório sobre a recente troca de nome do hotel onde se realiza a solenidade: está feliz por encontrar as pessoas no Hilton Washington que, não sabe por que, lembra muito a atmosfera do Washington Hilton. Acha que a mudança de nome é uma homenagem à nova tendência de europeização dos EUA, como está acontecendo com a política econômica do novo governo: “Se a Grécia continuar no caminho que está, vai acabar virando uma Califórnia”. E acrescentou: “Está claro que esse governo quer implantar nos EUA o estilo europeu, adotando o sistema de Estado assistencialista, ainda que o governo negue. Cada passo que eles dão comprova isso, desde a nacionalização do sistema de saúde até a gastança promíscua e os empréstimos [a empresas e instituições financeiras] –  e ainda querem institucionalizar o imposto sobre valor agregado [value added tax] – que funcionou tão bem na Grécia, Espanha, etc. O aumento de impostos vem bem a calhar com o que se observa na Europa –  que está colhendo o que plantou.”

“Muitos dos meus amigos”, continuou Ed Crane, “muitos de nossos amigos, que acreditam em governo limitado, dão muita ênfase à questão de impostos, mas deveriam também estar de olho no que o governo está fazendo. Tendemos a nos esquecer de um dos brilhantes conselhos de Milton Friedman – cujo nome homenageamos neste jantar –  que dizia que o verdadeiro imposto cobrado dos americanos é todo aquele que extrai recursos do setor privado e os aplica no setor público – é este o significado de gastos públicos.”

“Detesto ter que citar nomes, mas vi Mark Penn [pesquisador e consultor das campanhas presidenciais de Bill e Hillary Clinton, John Anderson e Ross Perot] respondendo, sobre o que deveria ser cortado nos gastos públicos, além do programa assistencialista de Obama, que era a razão da entrevista, que ‘estes gastos estão fora de controle, temos que cortá-los…’, etc. Indagado novamente sobre o que cortar nada apontou – e essa pergunta foi feita três vezes – e havia uma só resposta: o governo, reconhecendo seu enorme tamanho, deve olhar para o orçamento e dizer ‘chega!’, e eu começaria cortando 80 bilhões de dólares pelo ministério da educação, e esse é só o começo, poderíamos ficar a noite toda falando sobre isso. Sou mais cético que a maioria das pessoas aqui sobre a eficácia dos gastos do governo. E é por isso que acho um Movimento como o ‘Tea Party’ tão animador porque eles estão conversando sobre a Constituição, e quando você discute sobre a Constituição você tem que falar da 10ª Emenda e quando você fala da 10ª emenda discute sobre a doutrina do Poder e fica claro o que o governo deveria estar fazendo e o que não deveria estar fazendo. O que o constitucionalismo tem a obrigação de defender.”

Depois de agradecer o apoio financeiro das instituições e pessoas que patrocinaram o jantar, Ed Crane relembrou a criação do Prêmio Milton Friedman. Um amigo de Crane em S. Francisco, disse-lhe que tinha uma ideia para a criação de um Prêmio do CATO que promovesse a defesa da liberdade – teria o nome de Milton Friedman; já havia prêmio para a paz, a ciência, a arquitetura, a medicina, etc., “porque vivemos numa sociedade livre”, explicou. “Por que não promover um para a liberdade com o nome de Milton Friedman, o maior promotor da liberdade no século XX?” Tiveram um jantar em S. Francisco com o casal Friedman. Milton Friedman concordava com a ideia do prêmio, mas não com o nome dele para o prêmio; essa conversa ficou rolando a noite toda e Friedman sempre negando a ideia de seu nome para o prêmio. Até que Rose Friedman disse: “Milton, essa é uma boa idéia, nós vamos apoiá-la.” E foi assim que conseguiram a adesão de Friedman. Ed Crane acha que muitos dos debates em casa dos Friedman deviam terminar do mesmo modo.

Milton Friedman ficou muito feliz com o reconhecimento internacional por seu trabalho que o Prêmio proporcionou ; gostou igualmente da escolha dos três primeiros vencedores, Peter Bauer (economista britânico), Hernando de Soto (economista peruano) e Mart Laar (ex primeiro ministro da Estônia). Os dois recentes são: Yon Goicoechea, líder do movimento estudantil pró-democracia, na Venezuela, e o atual, o jornalista iraniano exilado Akbar Ganji. Comum a todos: a crença em uma mudança da sociedade de forma pacífica e civilizada.

*Hilton Washington, 13.05.2010, Washington, D.C., EUA

**O texto é uma tradução-adaptação de LIGIA FILGUEIRAS de vídeo publicado no site do CATO Institute.

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