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Torturando números

A atual campanha eleitoral do PT é pródiga em números.  A candidata Dilma tem sempre uma coleção de dados e estatísticas para vomitar, na maioria das vezes sem que ninguém pare para analisá-los.  Ela vem dizendo, por exemplo, que o Bolsa Família do PT beneficia 50 milhões de pessoas, enquanto os programas similares do governo FHC beneficiaram somente 5 milhões.  Essa afirmação é um dos carros chefes da propaganda petista, repetida aos quatro ventos, tanto na propaganda “gratuita” no rádio e na TV quanto nos debates.  O problema desses números é que eles são mentirosos.  Conforme noticiou o jornal O Globo, após o primeiro debate, a verdade é bastante diferente disso.

“O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) informa que o Bolsa Escola atendia a 5,1 milhões de famílias em dezembro de 2002. Já o Bolsa Família paga benefícios a 13,9 milhões de famílias (dado de setembro de 2014), atingindo cerca de 50 milhões de pessoas.”

Como mostra este relatório do Ministério do Desenvolvimento Social, se adicionarmos ao Bolsa-Escola outros programas, como Vale-gás, Bolsa-Renda e Bolsa-Alimentação, o número de famílias beneficiadas por algum programa assistencialista de FHC, no fim de 2002, era muito maior (vide página 19).

Como se vê, Dilma compara número de famílias com número de pessoas, quando o correto seria comparar pessoas com pessoas ou famílias com famílias.  Mas aí a diferença mostrada não seria tão grande, certo? Como não há nenhuma razão para acreditar que a presidente desconheça esses fatos, a única conclusão plausível é de que o único intuito é mesmo engabelar a patuleia.

Outra comparação, repetida amiúde pelo PT, refere-se às taxas de crescimento do PIB nos governos Lula e FHC.  Lula costuma bater no peito e dizer que o crescimento do país, no período dele foi praticamente o dobro de FHC.  Jogar estatísticas ao vento, entretanto, sem contextualizá-las, é como comparar bananas com laranjas, até porque Lula presidiu o país numa época de grande prosperidade mundial, enquanto FHC enfrentou duas crises severas, como, ademais, também ocorreu com Dilma.

O gráfico abaixo, publicado originalmente no blog do economista Mansueto de Almeida, demonstra que, relativamente ao crescimento médio dos demais países latino-americanos, a taxa média brasileira, durante o Governo FHC, foi, efetivamente, muito mais digna de aplausos do que a de Lula.

Como escrevi alhures, alguém já disse: torture os números e eles confessarão qualquer coisa. De fato, as estatísticas são, hoje em dia, as grandes aliadas dos mistificadores, que as utilizam de forma indiscriminada para dar aparência científica às falácias e mentiras em prol de suas causas…

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.