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Semelhanças e diferenças entre George Washington e marechal Deodoro da Fonseca

Há um certo tempo, parei para ouvir alguns episódios do podcast Presidential, do jornal The Washington Post, que visava esmiuçar o período presidencial de todos os presidentes americanos, incluindo sua biografia pessoal, relações e comportamento, além da vida após a presidência.

Inclusive há o excelente podcast Presidente da Semana, da Folha de São Paulo, inspirado neste podcast que fala sobre os brasileiros que também recomendo.

Ouvindo ambos os podcasts, passei a estudar a comparação entre George Washington e o marechal Deodoro da Fonseca. Do qual tanto tempo de estudo culminou neste texto.

George Washington e Deodoro da Fonseca nutrem muitas semelhanças em diversos aspectos de suas vidas pessoais. Ambos eram generais com experiência em batalha que causavam um imenso efeito moral em suas tropas, ambos se casaram com mulheres abastadas e mais velhas, e ambos eram estéreis e não tinham filhos biológicos.

Mas as semelhanças acabam por aí, pois o papel de ambos, como pioneiros de seus cargos, foi bem diferente.

George Washington era desapegado ao senso de poder. Após ganhar as batalhas da Revolução Americana em 1781, o general abandonou as armas, o posto de comandante em chefe e se retirou para sua fazenda em Mount Vernon, na Virgínia.

Deodoro, por outro lado, era completamente apegado a ser notado, após a Guerra do Paraguai, usou de sua fama para aproximar-se de Dom Pedro II, do qual admirava, e devido a sua amizade, foi nomeado a governar duas províncias diferentes, o Rio Grande do Sul e o Mato Grosso.

George Washington somente voltou à cena após uma breve e falha experiência de confederação experimentada pelos EUA, em que culminou na Constituição Americana em 1787 e nas primeiras eleições presidenciais realizadas entre 1789 e 1790.

Empossado presidente, Washington se sentia distante da capacidade de exercer o cargo, constantemente enviava cartas aos secretários sugerindo que ter virado presidente talvez não fosse uma boa ideia no fim das contas, mesmo exercendo o poder concedido a ele com absoluta parcimônia, controle e principalmente muita cordialidade com o deputados eleitos para o congresso.

Deodoro, por outro lado, nunca saiu da cena política, e mesmo sendo articulador da voz militar, sua posição monarquista era um entrave para golpistas republicanos. Posição esta que somente mudou, segundo biógrafos, quando seu adversário político, Silveira Martins, fora cotado para ser o novo primeiro-ministro do país.

Empossado presidente através de um golpe, pode até ser que a admiração pelo sistema americano tenha pairado na cabeça de republicanos ao empossá-lo como um general experiente e popular, mas diferente de George Washington, ele usou seu poder quase absoluto e discricionário para fazer o que lhe acreditava a competência.

Desde tentar mudar o hino a tornar o RJ num eterno carnaval de paradas militares para celebrar o novo regime e até nomear todos os seus 17 sobrinhos em cargos de administração pública, Deodoro abusou do poder por cerca de 15 meses, até a convocação de eleições para uma assembleia constituinte.

E nem mesmo após a aprovação da Carta Constitucional, Deodoro aliviou em seu abuso de poder, tentando atropelar o congresso para impor seus desejos, e até mesmo tentou um fracassado autogolpe, que fora debelado pela influência de seu vice presidente, Floriano Peixoto, e pelo chefe da Marinha, Custódio de Melo.

A República Brasileira não teve um George Washington para dar a tônica do cargo e servir de ponto de referência do que é ser um bom e competente presidente que respeita a liberdade, a democracia e o exercício de poder moderado em favor do cidadão.

Pelo contrário, teve um militar aspirante a ditador que abusou severamente do exercício do poder em favor próprio, de sua família e pelo autoritarismo latente.

Não à toa, o presidente do Brasil parece sempre um cargo disposto a prejudicar o cidadão em benefício de si.

* Artigo publicado originalmente na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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