Resposta do movimento Convergência a Lucas Berlanza

Nos últimos anos, a sociedade civil tem se organizado em muitas iniciativas políticas cujo principal interesse é a renovação, como os já conhecidos Agora e Acredito. Particularmente, faço parte atualmente do movimento Convergência, que acredita na união de empreendedores sociais, cívicos e políticos para uma mudança estrutural na trajetória do desenvolvimento do país. Porém, como […]

Nos últimos anos, a sociedade civil tem se organizado em muitas iniciativas políticas cujo principal interesse é a renovação, como os já conhecidos Agora e Acredito. Particularmente, faço parte atualmente do movimento Convergência, que acredita na união de empreendedores sociais, cívicos e políticos para uma mudança estrutural na trajetória do desenvolvimento do país. Porém, como todo novo movimento, ao mesmo tempo em que ele atrai elogios e sugestões, também são levantadas dúvidas e críticas. Tive conhecimento da primeira destas no final da semana passada, vinda do jornalista Lucas Berlanza, no Instituto Liberal, que colocou dúvidas sobre o que a renovação poderia significar para nós e os outros dois movimentos anteriormente citados.  

Em uma primeira reação, fiquei feliz de estarmos recebendo o feedback por nosso trabalho. Sermos citados junto ao Agora e Acredito é, para nós, algo de grande alegria e satisfação pelo trabalho que temos feito. Minha segunda reação, porém, foi ainda mais prazerosa: percebi que o nosso primeiro feedback veio de um já conhecido interlocutor. Explico: em um debate em um programa de rádio no primeiro semestre desse ano, do saudoso Alessandro Lyra Braga, precocemente tirado desse mundo por um infarto, conheci pessoalmente Berlanza. O programa tratava, dentre outros assuntos políticos, do lançamento de seu primeiro livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”.

Berlanza, em seu texto no Instituto Liberal, faz boas ponderações e coloca em evidência legítimas desconfianças. No âmago de sua crítica, afirma-se que renovação não é uma panaceia: o novo não é bom per si, e uma renovação pode vir até a ser pior. Há uma certa percepção do jornalista de que esses movimentos são formados por intelectuais e tecnocratas com ares autoritários, sem muito espírito democrático de confiar no voto da população. Destaco a seguir um trecho da crítica:

“Da mesma forma também o discurso de todos esses movimentos de que precisamos de “grandes profissionais” destacados em suas áreas, “empreendedores sociais” e quejandos no lugar dos nossos políticos ditando os rumos, um eco apressado da velha retórica positivista dos “especialistas” instalados na burocracia ditando as decisões.

(…) Não adianta querer esperar ter nas casas legislativas e executivas “quem merece” estar lá, porque quem decide “quem merece” estar lá é quem votar para colocar representantes lá. Esse é o ponto. Que estrovengas como o voto proporcional com as coligações prostituídas no sistema político brasileiro comprometem a representação, é fato; mas isso não pode ser alegado para destronar a ideia da representação em si. Combatam isso, não a “desigualdade”, a “corrupção”, a “falta de compromisso com a ética” ou qualquer generalidade do tipo”.

É importante ressaltar que, quanto ao compromisso com a democracia e a representação política, Berlanza está absolutamente correto. A Convergência, de fato, busca corrigir as distorções citadas pelo autor, combatendo as coligações prostituídas com uma coligação programática, baseada em um programa de governo escrito colaborativamente com grandes especialistas, movimentos sociais que pensam o Rio de Janeiro e lideranças comunitárias. Esses serão os três eixos a partir do qual será pensada uma aliança política-partidária para disputar as eleições para o Governo e a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Berlanza ainda se estende na crítica do Acredito e Agora pela sua defesa do combate à desigualdade. Por mais que sua legítima formação ideológica lhe faça ter reservas com essa causa, o jornalista faz uma corretíssima avaliação, absolutamente convergente, sobre as iniquidades sociais da sociedade brasileira. Destaco abaixo:

“É uma realidade, nem sempre constatada pelos conservadores e liberais, que existem fraturas sociais consideráveis na sociedade brasileira. Uma favela em um morro carioca dominada por criminosos, por exemplo, costuma ser um ambiente social de rotina e repertório simbólico eminentemente distintos dos de uma Zona Sul. É claro que isso precisa ser combatido. Será se atacarmos as causas corretas”.

O que Berlanza está defendendo é o combate às desigualdades de oportunidades. No final das contas, portanto, o que se busca é que uma favela seja um ambiente social não equivalente, mas equitativo em relação à Zona Sul. Talvez o que o jornalista não tenha percebido é que isso irá, por si só, reduzir as desigualdades como consequência. Destaco um curto trecho da última entrevista da economista Eduarda La Rocque, hoje uma das integrantes mais importantes do Convergência:

“O que você chama de “diminuir a desigualdade”?

Redistribuição de oportunidade, de renda, uma proteção mínima no nosso país, que é muito desigual. (…)

E como combater a desigualdade?

Uma forma é considerar métricas geométricas ao invés de aritméticas. Fórmulas matemáticas simples são capazes de gerar o incentivo que você quer, na verdade redistribuir oportunidade. É igualdade de renda? Não. Igualdade não deve ser um objetivo. É mérito, mas também não só mérito, porque nem todo mundo nasce com as mesmas habilidades (…)”.

A Convergência iniciou-se enquanto movimento há pouco mais de três meses. Nossas ações, ainda que limitadas pela reduzida escala do tempo, tiveram como objetivos delinear diretrizes convergentes para um programa de governo, e engajar diferentes movimentos da sociedade civil – inclusive nas comunidades e zonas mais afastadas do centro urbano – em uma rede de cooperação e coordenação de trabalhos. Tivemos até agora apresentações e debates com especialistas sobre os temas que mais afligem nosso estado, como segurança, economia,  saúde e educação. Ao mesmo tempo, estamos realizando o programa piloto #RedesPeriféricas, que organiza diferentes oficinas para capacitar pequenos empreendedores fora do eixo Centro-Zona Sul.

Em meio a um curto calendário e uma escala cada vez maior, certamente cometemos e continuaremos cometendo diversos erros no caminho, de modo que críticas e apontamentos, como do jornalista Berlanza, são mais do que bem vindos. Inclusive, gostaríamos de convidá-lo pessoalmente para que conheça pessoalmente nas próximas semanas nosso projeto. Da mesma forma,  queremos que todos que tenham dúvidas e desconfianças sobre nosso trabalho que venham até nós para nos conhecer melhor, a começar visitando nossa página do Facebook. Como um movimento de renovação política que preza pela ética e transparência, estamos totalmente abertos para qualquer encaminhamento de toda população.

Nota: Texto escrito por Daniel Duque.

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