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Regulamentem o Mercado das Relações Amorosas

 

* Escrito por Julian Adorney

O Dia dos Namorados deste ano foi um desastre — não só para mim, mas para muitos ex-casais. Mas quando eu me sentei, solitário, no domingo, amargurado e com meu coração partido, percebi o que está errado com os romances hoje em dia: falta regulamento.

 

O governo dos Estados Unidos, sabiamente, escolheu regular a maioria dos aspectos da nossa vida, desde o salário que você tem permissão para aceitar até os medicamentos que um paciente pode comprar no balcão. Interações voluntárias são boas, mas o principal é que as pessoas precisam ser protegidas… O trade-off entre liberdade e segurança não existe apenas em relação à política externa ou à privacidade das pessoas: nós precisamos encontrar também um equilíbrio similar na arena do amor.

 

Proponho então a criação de uma nova organização do governo, a Comissão para Assegurar o Romance Equitativo (CARE), visando a pôr um fim no atual mundo sem lei dos romances. Três poderosos conjuntos de regulamentos trariam a estabilidade tão necessária ao caos das relações amorosas.

 

  1. Quem tem permissão para namorar?

 

Assim como quaisquer profissões — de cabeleireiros a decoradores — devem ser licenciadas, o governo deve intervir também para licenciar os namoros.

 

Atualmente, o mercado do amor está infestado de espécimes de má qualidade. Homens desprezíveis pagam bebidas para mulheres e dormem com elas logo no primeiro encontro. Mulheres imorais traem seus namorados apaixonados. Muitas pessoas não têm suficiente critério para escolher bons parceiros, e suas más decisões podem ser trágicas. Sem contar que elas às vezes produzem filhos.

 

Para remediar esta situação, qualquer candidato a namoro deveria ter de preencher um pedido à CARE. O sistema de licenciamento deve ser configurado de forma que os requerentes frequentem cursos a fim de aprimorar tanto o seu bom coração como a sua capacidade de tratar bem um parceiro. Como executores do sistema, os agentes da CARE inspecionariam os casais, aplicariam multas ou prenderiam qualquer indivíduo envolvido em relação amorosa sem uma competente autorização.

 

Este sistema removerá a ralé do mercado de namoro e garantirá que indivíduos bondosos nunca serão atraídos para romances de que irão arrepender-se mais à frente. E, se algumas pessoas forem forçosamente retiradas do mercado, qual o problema? Elas provavelmente não eram mesmo boas parceiras.

 

  1. Bilhetes de namoro

 

Como sabemos, mercados livres não são eficientes para distribuir recursos naturais escassos. O Capitalismo desregulamentado provoca intensa desigualdade.

 

Atualmente, alguns homens e mulheres têm quatro ou cinco encontros por semana. Outros podem sofrer períodos de abstinência prolongados. Além disso, os indivíduos com muitos encontros na agenda têm a oportunidade de aprimorar suas habilidades, o que os torna ainda mais atraentes e lhes garante mais encontros no futuro, enquanto aqueles que não tiveram um encontro em meses simplesmente definharão. Suas habilidades se deteriorarão, tornando-os menos atraentes ainda.

 

Tal situação é desigual e injusta. Ela demonstra como mercados desregulados criam um ambiente propício para que uns poucos sortudos subam ao topo, enquanto a maioria sofre. Isso prova que o retorno sobre o capital amoroso acontece apenas na parte superior da distribuição, ou, como Thomas Piketty resumiria, numa equação: “r > l” onde “r” é a taxa de retorno sobre o capital amoroso e “l” é a taxa de crescimento do amor para o resto de nós.

 

Para remediar esta situação, cada homem e cada mulher devem ser forçados a submeter o planejamento quantitativo de seus encontros amorosos semanais à CARE.  Assim, se alguém tiver mais de quatro encontros marcados, um deles deve ser redistribuído aleatoriamente para uma pessoa que não tenha tido algum encontro em um mês ou mais. Este sistema irá garantir uma distribuição mais uniforme dos encontros, na qual cada homem e mulher receberão um quinhão justo.

 

  1. As separações

 

Algumas pessoas — para não citar nomes — planejam um belo fim de semana para o dia dos namorados, apenas para serem “dispensados” sem aviso prévio… Esta situação não é só imoral; deveria ser também ilegal!

 

O governo já regula quem pode ser demitido de um emprego e em quê circunstâncias. Nós sabemos, por exemplo, as consequências trágicas de alguém perder o seu único meio de renda e por isso tomamos medidas para proteger os trabalhadores.

 

Mas será que a perda do amor é menos traumática? Um coração partido pode levar à dor, ao sofrimento e até mesmo à morte. Com este fato em mente, proponho algumas restrições de bom senso às separações entre casais.

 

Cada homem ou mulher que pretenda abandonar um parceiro deve ter de preencher vários formulários mostrando as respectivas causas. Ninguém deveria temer ser dispensado por razões insignificantes… Com a orientação da CARE, as relações que devem ser mantidas serão mantidas — até porque aqueles que tiverem uma razão justa para terminar serão autorizados fazê-lo.

 

Da mesma forma, nós, como sociedade, não devemos mais tolerar separações repentinas. Uma pessoa que deseje terminar uma relação deve ser obrigada a preencher uma reclamação formal, informando sua intenção ao parceiro, além de esperar duas semanas antes da efetiva separação. Este “aviso prévio” daria tempo à parte prejudicada para ajustar-se ao novo status quo.

 

E a liberdade?

 

Alguns opositores irão queixar-se de que a CARE irá limitar a nossa liberdade. Mas a liberdade não é o único valor. Temos de considerar o bem maior.

 

Liberdade é tolerável quando exercida de forma a servir à sociedade, mas seus excessos devem ser controlados a fim de evitar o seu exercício de forma anti-social. Gente boa e decente precisa de segurança no mercado de romances. Se isso significa um pouco menos independência para todos, que assim seja. Aqueles que exigem liberdade irrestrita são simplesmente apologistas do sofrimento.

 

* Julian Adorney é empresário e historiador econômico, com foco na economia austríaca.  Além da FEE, ele escreve para o Ludwig von Mises Institute, Townhall e The Hill.

Artigo publicado originalmente na FEE – Foundation for Economic Education.  Traduzido e adaptado por João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

Um comentário em “Regulamentem o Mercado das Relações Amorosas

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    26/02/2015 em 5:27 pm
    Permalink

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Muito bom. Genial.

    Os comunistas de antigamente também falavam em “coletivizar as mulheres”, mas Gramsci e a Escola de Frankfurt vieram e inseriram o politicamente correto e os “direito das mulheres” na nova propaganda socialista.

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