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Razão dá-se a quem tem

JOSÉ L. CARVALHO*

Brasileiros são mais europeus do que se imaginava

Miscigenação no BrasilOs brasileiros são bem mais europeus do que africanos. Esqueça todas as análises já feitas com base em conceitos como raça e cor da pele. O primeiro grande estudo a medir a ancestralidade da população do país a partir de sua genética revela uma participação européia muito maior do que se imaginava, … As conclusões estão na pesquisa coordenada pelo geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, e publicada na revista científica “PLoS”.  …

O trabalho revelou que, em todas as regiões, a ancestralidade européia é dominante, com percentuais que variam de 60,6% no Nordeste a 77,7% no Sul. …

Formada por três diferentes raízes ancestrais, indígena, européia e africana, a população brasileira sempre se acreditou muito heterogênea. Mas o estudo conclui que, independentemente de eventuais classificações baseadas na cor da pele, os brasileiros são muito homogêneos do ponto de vista de sua ancestralidade.

Essa pesquisa, além de seus aspectos biológicos e suas implicações médicas, destrói um mito que nos últimos anos grupos de interesse vêm construindo com sucesso no Brasil; de que a discriminação racial é um problema social grave em nosso País. Não estou afirmando que não existe discriminação no Brasil. Ela existe porque é da natureza humana discriminar. O ponto que gostaria de enfatizar é que a discriminação que registramos no Brasil não era, até há pouco tempo, um problema social. Assim, as políticas afirmativas adotadas pelo governo deverão promover um antagonismo entre brasileiros devido à diferença na cor de sua pele.

Gilberto Freyre foi muito criticado por defender, em Casa-Grande & Senzala, essa posição, e o fez com argumentos sociológicos robustos e vasta referência histórica. O processo de miscigenação teve início no século XVI: A escassez de capital-homem supriram-na os portugueses com extremos de mobilidade e miscibilidade: dominando espaços enormes e onde quer que pousassem, na África ou na América, emprenhando mulheres e fazendo filhos, em uma atividade genésica que tanto tinha de violentamente instintiva da parte do indivíduo quanto de política, de calculada, de estimulada por evidentes razões econômicas e políticas da parte do Estado. (p.70)

… A falta de gente, que o afligia, mais do que a qualquer outro colonizador, forçando-o à imediata miscigenação – contra o que não o indispunham, aliás, escrúpulos de raça, apenas preconceitos religiosos – foi para o português vantagem na sua obra de conquista e colonização dos trópicos. Vantagem para sua melhor adaptação, senão biológica, social. (pp.74, 75)

No final do século XIX, com o fim da escravidão e o fluxo migratório de trabalhadores europeus, aparentemente o processo de miscigenação não foi interrompido. Em Sobrados e Mocambos, Freyre descreve a ascensão do mulato por meio da educação e o desenvolvimento de uma mão-de-obra especializada, constituída de mestiços, os únicos maquinistas mecânicos; os exclusivos senhores das oficinas; os São Jorges fuscos dos cavalo-a-vapor.

*VICE-PRESIDENTE DO INSTITUTO LIBERAL

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