A previsão de Roberto Campos e o ajuste que nunca aconteceu

roberto-campos-oscar-cabral1Em 1991, em famoso vídeo, o saudoso economista Roberto Campos soltou uma macabra previsão: “o Brasil acaba com os economistas da Unicamp, ou eles acabam com o Brasil”.

Bastaram cinco anos de assessoria direta de economistas da Unicamp à Presidente Dilma Rousseff, para a previsão de Roberto Campos se tornar realidade: expansão monetária, corporocracia, expansão das obras públicas, expansão dos cargos e salários públicos, intervenção estatal em toda a economia, corrupção e protecionismo comercial.

Provavelmente nenhuma economista fez tão mal ao Brasil quanto Maria da Conceição Tavares, mas além dela podemos destacar, em tempos recentes, o mais nocivo professor do país: Luiz Gonzaga Belluzzo.

Belluzzo nunca acerta qualquer previsão econômica, e é obcecado por gastos públicos. Como principal conselheiro econômico de Dilma Rousseff, convenceu-a a enterrar a bem sucedida matriz econômica “meta de inflação/câmbio flutuante/responsabilidade fiscal” por uma matriz heterodoxa “juros baixos, câmbio desvalorizado e aumento de gastos públicos”. Foi, sem dúvida, um responsável direto pelo caos econômico que vivemos.

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Agora, repetindo o que Lula falou há dois meses, Belluzzo tem a desfaçatez de dizer que a crise econômica é culpa de um suposto ajuste fiscal que Joaquim Levy estaria fazendo. Segundo Belluzzo, precisamos gastar mais ainda para sair da crise.

Mas do que ele está falando?

Uma projeção de déficit primário de 119 bilhões de reais para 2015 com resultado final de 500 bilhões de reais negativos é um recorde histórico. À guisa de comparação, Fernando Henrique Cardoso, um gastador, em 8 anos de governo, fez uma dívida de pouco mais de 200 bilhões de reais no total. Lula, outro gastador, em 8 anos de governo deixou um déficit pessoal de pouco mais de 600 bilhões de reais. Dilma conseguiu, em apenas um ano, criar uma dívida maior que o dobro da dívida feita por Fernando Henrique, e quase chegou, em um ano, no total criado por Lula em oito.

Falar em ajuste fiscal de Joaquim Levy é de um despautério total.

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Quando se fala em cortes de seguro-desemprego e abono salarial, entre outras medidas pontuais, isso foi apenas um pontinho no oceano do gasto público nacional, que para continuar se financiando precisa captar dinheiro a juros astronômicos, criando uma prisão fiscal. Estima-se que os cortes do governo geraram, no máximo, 35 bilhões de reais em alívio fiscal. E o que é um alívio de 35 para quem quer gastar 500 bilhões apenas em 2015, com o beneplácito do Congresso?

O que são essas medidas pontuais perto da sangria do custo financeiro do refinanciamento, chamado jocosamente de bolsa-banqueiro? Ou do bolsa-empresário do BNDES (que teve sua expansão reduzida, não sendo uma diminuição de atuação propriamente dita)? E os aumentos sem limites do funcionalismo público? E o buraco da previdência pirâmide brasileira?

Esse ajuste, vendido pelo Governo, nunca aconteceu. É uma falácia. Um espantalho criado para a própria esquerda ter em quem bater para crescer. Levy é um instrumento político de bode expiatório para a esquerda nacional, e está prestando um papelão, para que pessoas sem nenhuma credibilidade real no mercado, como Belluzzo, possam vociferar suas impropriedades não científicas que a Unicamp insiste em vender ao Brasil como uma agenda econômica falida.

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Se Roberto Campos estivesse vivo hoje, ele certamente estaria combatendo o bom combate e dizendo: “eu tenho razão”. Porque ele teria mesmo, tanto no que tange à sua teoria econômica, quanto na sua triste, mas verdadeira previsão: como o Brasil não acabou com a faculdade de economia da Unicamp, a faculdade de economia da Unicamp, e seu filho famoso, acabaram com o Brasil.

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