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Por que os coletivistas estatistas querem a intervenção estatal nas redes sociais?


O povo, quando queria se alimentar com informação ou conhecimento, comia da mão de jornalistas ou acadêmicos.

Com o surgimento da Internet, e depois das redes sociais, a mídia tradicional perdeu a hegemonia no fornecimento de tão importante alimento porque o povo passou a se alimentar diretamente, uns fornecendo informação e conhecimento para os outros e vice-versa.

O que o povo demorou para perceber é que, apesar de não haver mais intermediários em muitas das trocas de informações e conhecimento, o ambiente onde isso estava ocorrendo não era terra de ninguém. Era uma rede integrada de propriedades privadas operando em espaços comunitários, administrada por uma elite de especialistas que descobriu que ser mídia é a parte mais legal desse novo modelo de negócio.

O povo, mal acostumado, revoltou-se e começou a testar os limites entre a sua liberdade para dizer o que pensa e o limite da tolerância da nova mídia para ouvir o que o povo estava dizendo.

O ambiente onde essa batalha estava sendo travada, por não ser em praça pública estatal, mas em ambientes cuja propriedade é privada, o que estabelece uma assimetria de forças, porque onde há um dono, há direitos inalienáveis, e onde há meros usuários, sem contrato definido mutuamente ajustado, há apenas privilégios que podem ser sumariamente retirados, seja por razões justificáveis ou por caprichos inexplicáveis.

A relação do povo com a mídia tradicional era mais simples pela ausência da interatividade. O povo era passivo, recebia o que lhe mandavam, consumia ou descartava.

Em tempos de redes sociais, a via, que era de uma mão, se tornou multidirecional. Depois que o povo foi presenteado com esse poder, passou a ser muito difícil dissuadi-lo de usá-lo.

Não é por outro motivo que há um clamor para que os governos intervenham, tomem conta da propriedade privada e violem a liberdade dos donos das redes sociais.

Emitir informação e conhecimento, expor a própria opinião para milhões de internautas, se tornou uma necessidade. Necessidade, para quem tem mentalidade coletivista estatista, é sinônimo de direito. Para esses, necessidade atendida através de um privilégio dado por alguém torna-se direito adquirido. Exatamente como pensam os servidores estatais e os beneficiários do estado de bem-estar social.

Não se trata de coincidência quando esses, que querem acesso amplo às redes sociais para fazerem o que quiserem, à revelia da vontade de seus donos. pedem a intervenção estatal para satisfazê-los. Agem igual àqueles que se valem também da estrutura estatal para viverem à custa de terceiros.

São todos anti-capitalistas, parasitas do que é produzido pela iniciativa privada, responsável única pelo setor que inova, cria e produz valor para toda a sociedade, inclusive para os que os exploram por meio da força.

Pior do que os que apenas querem satisfazer suas necessidades e caprichos, por conveniência hedonística, são os intelectuais que pervertem conceitos e desprezam princípios para dizerem que os capitalistas acabarão com o capitalismo.

Ora, isso era o que Marx dizia; o que me leva a crer que muitos desses que dizem se opor a Marx, na realidade, carregam Marx dentro deles. Dizem querer defender o capitalismo, mas atacam os capitalistas que tornam o capitalismo possível.

Dizem que o estado deve violar a propriedade privada e a liberdade dos seus proprietários, em nome das necessidades dos usuários e consumidores.

Se Marx defendia a ditadura do proletariado através da revolução e da luta de classes, se Gramsci defendia a mesma coisa através da tomada das superestruturas da sociedade, se Marcuse e Foucault – niilistas – defendiam a perversão moral e linguística, respectivamente, para destruir a sociedade capitalista, esses que querem que o governo intervenha nas empresas tecnológicas querem impor a ditadura dos necessitados por internet e por espaço virtual nas redes sociais para defenderem suas teses.

Cuidado com esses reacionários místicos. O que eles querem preservar em última instância é o coletivismo estatista, base ética e política do socialismo, seja ele comunista ou fascista.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.