Por que o governo e o mercado não devem se misturar?

A derrocada de Eike Batista do posto de homem mais rico do Brasil e a ascensão ao topo de Jorge Paulo Lemann revelam percursos e trajetórias antagônicos.

O primeiro cevou-se em relações promíscuas com o estado brasileiro e suas inúmeras ramificações. Buscou a grandeza nas malhas de favores fiscais e contratos milionários com bancos e concessões governamentais. O segundo cresceu no comércio de varejo, depois produzindo e vendendo cerveja e refrigerantes, procurando a satisfação do consumidor nada mais do que isto. Os resultados auferidos pelos dois são flagrantemente reveladores. Assim como seus fracassos e sucessos.

Leia também:  Por que o protecionismo atravanca o progresso

Trata-se, precisamente, da oposição entre estado e mercado. Quanto mais estado mais corrupção e ineficiência. Tanto mais mercado, menos devassidão e eficácia maior. As nações em que o estado é menor são menos corruptas. E quanto mais pujante o mercado interno, mais eficientes são os produtos e serviços à disposição do consumidor.

Na medida em que os véus estatistas, que nublaram a cena brasileira nos anos do lulopetismo, se vão esvanecendo ressalta a importância do mercado como aferidor do mérito que deve envolver a ascensão dos empreendedores. Não é a proximidade ou elogio do governante de plantão que deve servir como régua para medir a grandeza ou eficiência dos empresários. Mas os resultados expressos na aceitação de seus produtos e serviços pelo mercado e nos consequentes lucros deles advindos.

Leia também:  O verdadeiro desafio pós dia 28

A bazófia grandiloquente de Eike Batista nos tempos de Lula e Dilma contrasta, de modo flagrante, com o permanente e discreto silêncio de Jorge Paulo Lemann. São oriundos de vinhos produzidos em pipas distintas, e que não devem se misturar: estado e mercado.

Sobre o autor: Ney Carvalho é escritor e historiador.

Gostou do texto? Ajude o Instituto Liberal no Patreon!
Leia também:  A “Política” de Aristóteles e a liberdade dos antigos