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Por que o Estado Brasileiro gasta muito mal os recursos dos nossos impostos?

Completados três anos do incêndio no Museu Nacional, decidi analisar alguns fatos referentes ao orçamento nacional e percebi que nada mudou de lá para cá.

Na época, os valores referentes à cultura no Brasil eram irrisórios e seguem assim. Em 2018, foram gastos R$ 110 milhões com a manutenção de espaços culturais e patrimônios históricos. Em 2021, foi o irrisório valor de 10 milhões de reais. Em 2018, as pessoas se escandalizavam com as planilhas que mostravam que o governo havia gastado 430 milhões com publicidade, gasto que hoje pouco se altera, caindo para os ainda absurdos 420 milhões de reais.

Os 10 milhões destinados a espaços de cultura nacional gerenciados pelo governo brasileiro neste exato momento são uma ofensa com o próprio país, principalmente se pensarmos que o valor é equivalente a um terço do que o governo gastou em tempos recentes com materiais de cama, mesa e banho na esfera federal. Acredite, estão gastando mais em lençol para servidores do que em preservação de museus. E não fica só na cultura.

Em números gerais, o governo nacional gasta mais com carros oficiais do que destina verbas ao SAMU. Em terceirização jurídica das estatais, gasta-se mais do que na manutenção do sistema aéreo nacional. Não é pouco: estamos falando de uma discrepância de 200 milhões. Sim, as “estatais estratégicas” ganham mais dinheiro para se proteger ou iniciar ações judiciais (como na ocasião em que a ECT processou uma paróquia por ter criado um correio próprio de orações) do que o sistema aéreo nacional ganha para que um voo com 200 passageiros pouse sem virar uma tragédia nacional.

Só para armazenar documentos em papéis de treze ministérios, o governo federal torra R$ 466 milhões por ano. É mais do que o Ministério da Educação gasta com merenda escolar para mais de 40 milhões de estudantes. Se Mário Henrique Simonsen, mentor do programa da merenda escolar, fosse vivo, veria seu legado sendo solapado em plena era digital pelo encaixotamento de papéis.

Por falar em educação, em 2016, para comprar todos os 128.588.730 livros didáticos que atenderam às escolas públicas, o governo federal desembolsou R$ 1,07 bilhão. Parece que finalmente temos algo em que o governo investe bem? Não mesmo. O valor é algumas dezenas de milhões de reais a menos do que foi gasto no mesmo período com auxílio-moradia com os nossos parlamentares, servidores e funcionários com cargos comissionados. Um dinheiro mais que suficiente para custear durante um ano o bolsa-aluguel de 238,5 mil famílias de baixa renda em São Paulo, a cidade com o maior déficit habitacional do país. Infelizmente temos que proteger os privilégios dos nossos burocratas nacionais.

Percebam que até agora não se trata de nenhuma questão ideológica; são dados e fatos disponíveis a qualquer cidadão com internet visualizar no portal de transparência do governo federal. Trata-se do claro diagnóstico: o Estado Brasileiro é uma grande máquina montada para preservar a si mesmo.

Não importa qual seja sua ideologia; o que é relevante ressaltar aqui é como, independentemente do que se assuma no poder do Brasil, o Estado é irracionalmente montado em autofagia, cobrando e extraindo tudo do cidadão para não alterar sua forma e estrutura – e nada nos últimos trinta anos foi feito para racionalizar esta existência.

Claro que crises exógenas podem dificultar a mudança rápida. Porém, não se move uma palha em prol do aprimoramento racional do funcionamento desta máquina, enquanto se movem celeiros inteiros para a auto sustentação do poder, da narrativa política e do enriquecimento pessoal, que transforma debates de necessidade urgente em reducionismos de “proteger” o modo do Estado Brasileiro operar, mesmo que custe a subsistência do cidadão.

*Artigo publicado originalmente na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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