Por que no te callas, Rodrigo Maia?

Os leitores da minha coluna no Renova Mídia conhecem o que penso do desprezível ocupante da presidência da Câmara federal, o seu Rodrigo Maia. Quem leu meus artigos sabe bem o porquê da sua liderança de uma casa congressual tão importante representar o que acontece quando apostamos nossas fichas nas verdadeiras mudanças no famigerado estamento burocrático. 

Rodrigo Maia gosta de falar bobagem, de aparecer como líder racional e ficar de bem com a mídia. Parece ser tão afeito ao diálogo com qualquer um que topou conversar com Lula, o criminoso condenado. Se foi ele o grande responsável das turbulências com o governo federal – para depois ter o cinismo de culpar o próprio governo por isso – no começo do ano, agora é dele o protagonismo de mais uma vergonha alheia para quem tem mais de dois neurônios a funcionar. 

O que aconteceu foi mais ou menos o seguinte: havia uma exposição de placas entre o Anexo II e o Plenário da Câmara sobre o ‘’genocídio da população negra’’. Dentre essas placas, havia uma com a imagem de um policial com um revólver na mão e um homem negro caído morto. A ideia da imagem era a de uma polícia racista, assassina e seletiva com pessoas negras.  

Leia também:  Contas Nacionais do segundo trimestre de 2019: Stay cool e siga com as reformas

É óbvio que uma absurdidade dessas não ia passar em branco sem chamar atenção dos parlamentares, e não passou. O Coronel Tadeu (PSL-SP) viu a tal placa e rasgou-a. Se a atitude do parlamentar foi adequada e proporcional à ofensa feita aos policiais brasileiros, isso é algo passível de discussão, tanto a favor ou contra. 

Mas este é o ponto: uma ofensa grave, baixa e desumana a uma classe tão sofrida, desrespeitada e humilhada como a dos policias não merece mais este ultraje – a de racista. São profissionais, homens e mulheres de muita coragem, pessoas que arriscam suas vidas para proporcionar segurança e devido cumprimento da lei à sociedade brasileira. Não poucos deles são negros. São seres humanos como nós, que passam pelas mesmas adversidades de seus colegas policiais. A polícia não é monopólio de uma cor ou uma raça; a polícia é do povo brasileiro e a ele serve. 

Pois bem, o que fez Rodrigo Maia? Deu um sermão público ao Coronel Tadeu e ridicularizou sua atitude. Até aqui, nada demais, pois pessoalmente qualquer um pode entendê-la como exagero desproporcional. Só que Maia gosta de nos brindar com chavões vazios para agradar os chiliquentos da grande mídia. Falou que ‘’ […] esse é um dia em que deveríamos defender a inclusão e a igualdade de oportunidades’’. 

Leia também:  "Likes" invisíveis: o império dos ofendidos

Maia referiu-se ao Dia da Consciência Negra nessa fala e na famigerada exposição. Interessante. Tal feriado faz referência à morte de Zumbi dos Palmares, líder quilombola. O outrora lúcido Marco Antonio Villa destacou que o seu quilombo não era um farol de liberdade e anarquia, mas uma organização tipicamente africana, ou seja, também havia escravidão ali. Como o líder de uma organização contendora de escravos pode ser símbolo da luta contra o racismo? 

O dito movimento negro o adora, mas é interessante que ele nunca ressaltou Arlindo Veiga dos Santos, Machado de Assis, Carlos Gomes ou José do Patrocínio. Ambos eram negros ou mulatos, porém, possuidores de certas características não úteis para o partidarismo do movimento: eram cristãos, monarquistas e patrióticos. Por isso, vale desprezá-los e enaltecer até mesmo um líder de uma organização nada libertadora. 

Nada disso interessa para Rodrigo Maia. Se for para achincalhar os apoiadores do presidente Bolsonaro, criar crises e desgastes desnecessários, posar de bom moço para a imprensa e desacreditar a direita política, vale jogar o bom senso e a realidade no lixo. Sua posição como maior liderança do DEM basta para entender o porquê de o partido nunca superar o perpétuo desgaste dos tempos do PFL. 

Leia também:  CPMI das Fake News é o perfeito retrato da política brasileira

Esse sujeitinho medonho dá nojo a qualquer brasileiro decente. Em qualquer país relativamente democrático e verdadeiramente republicano, as urnas dar-lhe-iam o que de fato merece: o ostracismo político. Seu centrismo é ridículo e inverídico, uma vez que seu partido flertou nas eleições de 2018 com ninguém mais, ninguém menos que Ciro Gomes. 

Ao mesmo tempo em que seria bom deixar Rodrigo Maia falar para a sua verdadeira face ser revelada, nossos ouvidos agradeceriam à coisa mais inteligente de sua parte: o silêncio. Sei que não tenho o menor traço de uma majestade, mas quero parafrasear o antigo rei espanhol Juan Carlos: por que no te callas, Rodrigo Maia? 

Referências: 

1.https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2019/11/19/maia-da-sermao-apos-deputado-destruir-cartaz-sobre-genocidio-negro.htm 

2.https://renovamidia.com.br/rodrigo-maia-aceita-encontro-com-o-condenado-lula/ 

3.https://www.youtube.com/watch?v=NBTZHNrfQdo 

Ajude o Instituto Liberal no Patreon!
Carlos Junior

Carlos Junior

É jornalista. Colunista dos portais "Renova Mídia" e a "A Tocha". Estudioso profundo da história, da política e da formação nacional do Brasil, também escreve sobre política americana.