Por que as energias eólica e solar jamais substituirão os combustíveis fósseis?

No dia 21/11, o Jornal Nacional mostrou uma longa reportagem sobre energia renovável no Nordeste, focando as fontes eólica e solar. Tudo dentro do padrão global de qualidade e enganação do espectador desavisado. Vendo matérias desse tipo, você pode ficar com a impressão de que aquelas fontes de energias alternativas estão contribuindo de forma importante na geração […]

No dia 21/11, o Jornal Nacional mostrou uma longa reportagem sobre energia renovável no Nordeste, focando as fontes eólica e solar. Tudo dentro do padrão global de qualidade e enganação do espectador desavisado. Vendo matérias desse tipo, você pode ficar com a impressão de que aquelas fontes de energias alternativas estão contribuindo de forma importante na geração de energia do mundo hoje. Ledo engano. Sua contribuição ainda é, depois de décadas de desenvolvimento, ínfima, irrelevante mesmo, como explicou Matt Ridley, num artigo há seis meses.

Em conjunto, a energia eólica e a energia solar fotovoltaica estão fornecendo menos de 1% da demanda global de energia. Segundo a Agência Internacional de Energia, o vento forneceu 0,46% do consumo global de energia em 2014, enquanto a energia solar, combinada com a das marés, forneceu 0,35%. Vale lembrar que estamos falando de energia total, e não apenas de geração de eletricidade, que é menos de um quinto de toda a energia consumida no mundo.

Esses números, embora fáceis de encontrar, não figuram nas indefectíveis reportagens sobre energia renovável, como aquela do Jornal Nacional. E, quando aparecem, se escondem atrás da afirmação de que algo em torno de 14% da energia do mundo é renovável. O que eles também não dizem é que, na verdade, a grande maioria (3/4) da energia renovável é biomassa (principalmente madeira). Ou seja, bastaria uma pesquisa rápida na internet para descobrir a enganação, o que me faz pensar que há interesses poderosíssimos, sugadores vorazes de dinheiro público, por trás dessa lengalenga.

Mesmo nos países ricos que “brincam” com vento e energia solar subsidiados, uma enorme fatia da energia renovável vem da madeira e das hidrelétricas. Enquanto isso, a demanda mundial por energia vem crescendo cerca de 2% por ano, há quase 40 anos. Entre 2013 e 2014, o consumo mundial cresceu perto de 2.000 terawatts/hora.

Suponhamos que, num esforço concentrado para mudar a matriz energética mundial, quiséssemos que apenas turbinas eólicas abastecessem esse crescimento anual de demanda. Quantas turbinas precisariam ser construídas a cada ano? Quase 350.000, uma vez que uma turbina padrão de dois megawatts é capaz de produzir cerca de 0,005 terawatts/hora por ano. Parece fácil? O problema é que isso é praticamente uma vez e meia de tudo que foi construído no mundo, desde o início dos anos 2000.

Mas as dificuldades não param por aí. Partindo da densidade típica dos parques eólicos atuais, de cerca de 50 acres por megawatt, a instalação dessas turbinas ocuparia, anualmente, uma área equivalente à metade do tamanho das ilhas britânicas, incluindo a Irlanda. Caso se mantivessem esses níveis de produção por 50 anos, uma área igual à metade do tamanho da Rússia seria ocupada com parques eólicos. Lembre-se: tudo isso seria necessário apenas para atender às novas demandas anuais de energia, e não para substituir o vasto fornecimento de energia dos combustíveis fósseis, que atualmente fornecem 80% das necessidades energéticas globais.

E não pensem que as turbinas eólicas poderiam se tornar mais eficientes. Existe um limite para a quantidade de energia que você pode extrair de um fluido em movimento, e esse limite já foi quase atingido pelas atuais turbinas. De fato, as turbinas eólicas já são bastante eficientes. O problema é o próprio recurso eólico, e não podemos mudar isso (pelo menos enquanto a presidente Dilma não descobrir uma forma de estocar o vento), pois trata-se de um fluxo flutuante de energia de baixa densidade.

Quanto aos impactos ambientais, os efeitos visíveis das turbinas – matança de pássaros e morcegos e fundações de concreto em terras selvagens – já seriam ruins o suficiente. Mas fora da vista há alguns outros problemas, a começar pela poluição gerada no interior da Mongólia pela mineração de metais das terras raras, necessários para os ímãs das turbinas. Isso gera resíduos tóxicos e radioativos em escala épica.

Mas o que já é ruim pode ficar pior. As turbinas eólicas são feitas principalmente de aço, com bases de concreto. Elas precisam de cerca de 200 vezes mais material por unidade de capacidade que uma moderna turbina a gás de ciclo combinado. O aço é produzido com carvão, não apenas no fornecimento de calor para fundição de minério, como para o carbono da liga. O cimento também é feito com carvão. A maquinaria das energias renováveis ​​”limpas”, portanto, é feita a partir de combustíveis fósseis e, em grande parte, do “pior” deles: carvão.

Esses dados demonstram que é totalmente inútil, em bases atuais, sequer pensar que as energias eólica e solar podem contribuir de forma significativa para o fornecimento global de energia, sem implicações gravíssimas para o próprio meio ambiente que se pretende preservar. Questão de aritmética, pura e simples. Mas quem se importa com isso?  O jornalismo engajado é que não…

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