Universidade da Islândia tolera o antissemitismo
Até mesmo na pequena e pacífica Islândia, o antissemitismo voltou a mostrar sua face. Em 6 de agosto de 2025, um grupo de pesquisa da Universidade da Islândia, liderado pelo professor Gylfi Zoëga, planejou realizar um seminário ao meio-dia sobre os efeitos da inteligência artificial nas aposentadorias. O evento estava programado para acontecer na sala de reuniões do Museu Nacional, perto do campus. Um especialista no assunto, o professor Gil Epstein, da Universidade Bar-Ilan, em Israel, iria falar no evento. O professor Zoëga não divulgou publicamente o evento, mas enviou e-mails às pessoas que achava que poderiam se interessar. Acontece que pelo menos um dos destinatários estava interessado pelo motivo errado.
Uma reunião impedida e não apenas interrompida
Quando os professores Zoëga e Epstein entraram na sala de reuniões do Museu Nacional, depararam-se com um grupo de 10 a 15 manifestantes no fundo da sala, agitando a bandeira palestina e entoando palavras de ordem acusando Israel de cometer genocídio em Gaza. Sempre que o presidente da sessão ou o palestrante tentava falar, o grupo os impedia com gritos. Depois de vinte minutos, Zoëga decidiu cancelar a reunião. Posteriormente, um dos manifestantes, Ingólfur Gíslason, professor da Escola de Educação da universidade, publicou no Facebook: “Com isso, ficou claro que a palestra do professor havia sido rejeitada.” Em outra publicação no Facebook, Gíslason revelou sua verdadeira motivação: “Israel que vá para o inferno.”
Um ataque à liberdade acadêmica
Aquilo foi um claro ataque à liberdade acadêmica. Os professores Zoëga e Epstein, juntamente com os participantes do seminário, não puderam realizar uma reunião pacífica sobre um tema acadêmico. No entanto, apenas quatro acadêmicos condenaram publicamente o ocorrido: o professor de Filosofia Róbert Haraldsson, o professor de Sociologia Kolbeinn Stefánsson, o professor de Direito Davíd Thór Björgvinsson e eu. Todos os demais permaneceram em silêncio, com exceção de um conhecido acadêmico de esquerda, o professor de Filosofia Finnur Dallsén, que argumentou que aquilo não constituía um ataque à liberdade acadêmica, pois, segundo ele, a liberdade acadêmica significava apenas proteção contra interferências das autoridades.
Eu respondi que, em geral, a liberdade acadêmica tem um significado mais amplo. Por exemplo, também foi um ataque à liberdade acadêmica na República de Weimar quando estudantes nazistas impediam professores judeus de dar suas aulas aos gritos, embora esses estudantes claramente não representassem as autoridades.
Violação da lei islandesa
Isso também foi uma clara violação da lei islandesa. De acordo com o Artigo 122 do Código Penal, qualquer pessoa que impeça a realização de uma assembleia legal pode estar sujeita a multas ou a até um ano de prisão, ou até dois anos no caso de infrações graves, especialmente se houver violência ou comportamento ameaçador. Apesar disso, a reitora da universidade, Silja Bára Ómarsdóttir, que anteriormente atuou em um partido de extrema esquerda, permaneceu em silêncio e não tomou nenhuma medida. A única resposta da universidade veio depois que o professor Zoëga escreveu ao Conselho Universitário para reclamar do ataque. Em resposta, o Conselho aprovou uma moção reafirmando o direito de protestar e de se reunir livremente. O Conselho também afirmou que, se um funcionário da universidade acreditar que uma lei foi violada, ele deverá entrar em contato diretamente com a polícia em vez de recorrer ao Conselho Universitário.
Uma omissão bergonhosa
Eu considerei vergonhoso que nem a reitora da universidade nem o Conselho Universitário tenham respondido ao ataque de 6 de agosto, limitando-se a oferecer palavras vazias. É claro que essas são duas questões distintas: a liberdade de reunião garantida pela Constituição Islandesa e as opiniões sobre as ações do Hamas e das Forças de Defesa de Israel em Gaza. Mas a única explicação razoável para a falta de ação da reitora e do Conselho é o antissemitismo. Se o palestrante fosse, por exemplo, Noam Chomsky, e se um grupo de estudantes ou professores de direita da universidade tivesse impedido que ele falasse, a resposta das autoridades universitárias teria sido, sem dúvida, rápida e firme.



