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Por que a esquerda odeia a ideia de “meritocracia”?

O termo “meritocracia” descreve um contexto político e social no qual o mérito é um fator-chave (mas não o único) para a distribuição de “premiações”, tais como uma promoção, um aumento de salário, um cargo, etc. Se antes as premiações eram baseadas principalmente em hereditariedade, com a meritocracia isso tende a mudar, sendo elas distribuídas de acordo com a capacidade de determinado indivíduo de gerar valor para a sociedade.

O termo foi criado em 1958 pelo sociólogo Michael Young, ligado ao The Labour Party (partido de esquerda), para descrever uma distopia, e não necessariamente algo desejável. Aliás, não só no Brasil, mas em boa parte do mundo, “meritocracia” tem uma conotação negativa, e isso não é algo recente – especialmente no campo da esquerda, que tem como seu maior norte a igualdade de resultados (ou equidade, se preferir).

Marcelo Freixo criticou pagar mais para os professores com melhor desempenho na rede pública. Disse o socialista frequentador do Copacabana Palace: “Estrutura pedagógica do governo é opressora, os professores não têm estrutura para trabalhar. Como cobrar meritocracia na rede pública?”. Até o militante do PSOL 50 e fraudador de jogos online nas horas vagas, Felipe Neto, criticou a meritocracia – fazendo uma correlação sem pé nem cabeça entre o termo e a obra de Adam Smith.

Outro motivo por que a esquerda brasileira tem resistência com a palavra, além do já citado no segundo parágrafo, é que o vocábulo é muitas vezes utilizado (erroneamente) para justificar determinado status quo, ao invés de um ideal. Para Michael Sandel, filósofo da Universidade de Harvard, o ressentimento com a meritocracia se deve também a dois pecados capitais: inveja e soberba – por parte dos “derrotados” e vencedores, respectivamente. Vale lembrar aqui a frase de Henry Hazlitt: “Todo o evangelho de Karl Marx pode ser resumido em uma frase: odeie quem está melhor que você.”

Sandel escreveu um livro sobre o assunto, intitulado A Tirania do Mérito, em que ele defende que os dois pecados capitais estão no coração das recentes revoltas populistas contra as elites: eleição de Donald J. Trump, Brexit, Occupy Wall St. e, por que não, o caso GameStop. Apesar do título, Sandel reconhece que o mérito é uma maneira justa de se conseguir “justiça distributiva”, em que os que geram mais valor são mais recompensados.

O que o filósofo critica é o que se tornou uma caricatura da meritocracia e cita, por exemplo, a maneira de se entrar nas melhores universidades americanas: muitas vezes são aceitos filhos de grandes doadores ou de ex-alunos. Fazendo uma analogia com o Brasil: pais que estudaram em escolas particulares tendem a conseguir melhores empregos, logo, conseguem melhores salários, logo, conseguem colocar seus filhos em escolas particulares. Enquanto isso, os filhos dos “pobres” ficam “presos” na escola pública, que presta um péssimo serviço, o que faz com que fiquem impossibilitados de ascender socialmente.

A meritocracia não é sinônimo de uma defesa de um sistema de castas, apesar do que a esquerda fica “papagaiando” por aí. Se quisermos resolver o problema da baixa mobilidade social no Brasil, é necessário atacar o problema da educação básica; mas isso a turma da esquerda não vai fazer, sabem por quê? Para fazê-lo, é necessário atacar privilégios no serviço público e, como diria Roberto Campos: “Nossas esquerdas não gostam dos pobres. Gostam mesmo é dos funcionários públicos. São estes que, gozando de estabilidade, fazem greves, votam no Lula, pagam contribuição para a CUT. Os pobres não fazem nada disso. São uns chatos”.

* Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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