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Livre concorrência, o catalisador do progresso

Vamos pensar em um mundo avesso à concorrência: você vai ao mercado em busca de roupas vermelhas, porém só há uma loja e ela só vende roupas brancas. Logo, você terá duas opções: comprar a camisa branca ou não comprar a camisa. Em qualquer uma das escolhas, você se frustra, já que não atenderá ao seu desejo. O mesmo aconteceria se você precisasse ir a um salão de beleza e ele não lhe atendesse da forma que gosta.

Esse exemplo grosseiro e hipotético nos faz refletir sobre como a livre concorrência é importante para o benefício individual e para o progresso da sociedade. O que se vê inicialmente é apenas a insatisfação pessoal; contudo, o que não se vê é que, por trás da ausência da economia de mercado, muitos outros aspectos não são atendidos, tais como: a liberdade de escolha, a eficiência dos mercados, a evolução, o benefício individual, a criatividade humana, as trocas voluntárias e, por conseguinte, o progresso.

Se, nesse mundo hipotético, surgisse uma segunda loja de roupas que tivesse peças de cores vermelhas e uma melhor qualidade do tecido, por lógica, essa seria a opção de compra. Tal escolha gera na primeira loja um evento perturbador, porque o processo de escolha é o precursor da lei de oferta e demanda, além de ser o catalisador do ciclo virtuoso de melhoria contínua, haja vista que, para não perder seus clientes, a primeira loja precisará melhorar seus produtos, no mínimo para igual ou melhor que a segunda loja.

A carência de competição torna os empresários inertes ao meio e fomenta a desmotivação para implementar diferentes formas de produtos e serviços, visto que seu produto é único e será vendido por ser a única opção. A livre concorrência reflete diretamente na qualidade do produto ou serviço, sendo precursora da excelência. Na economia de mercado, é possível perceber que há uma relação direta da qualidade com as vendas, pois, segundo Ludwig Von Mises, em Ação humana, é natural que o indivíduo busque o que é melhor para ele.

Outra consequência do livre mercado é que todos que estão imersos ao sistema estão constantemente fora da zona de conforto, o que corrobora a busca de melhoria, da inovação e de novas tecnologias. Aliada a isso, a concorrência traz a motivação, pois a competição impulsiona o empresário a buscar diferenciais que lhe deem vantagens competitivas, como, por exemplo, criar nova forma de atender ao cliente ou passar a vender outro modelo de um produto.

Ao longo dos anos, percebe-se que, em países em que a economia de mercado se faz presente, o nível de progresso obtido foi muito superior aos lugares em que o mercado estava limitado pela não concorrência: basta compararmos os EUA e o Japão com o Brasil. É comum vermos aqui pessoas e empresas que buscam fora do país mercadorias e serviços com melhor qualidade; em contrapartida, esses países buscam no nosso país insumos primários. Essa relação mercantil é fruto de um menor desenvolvimento brasileiro, pois, ao longo dos anos, muito sofremos com as políticas econômicas que não favoreceram a economia de mercado.

Em suma, a concorrência é um catalisador do progresso e, segundo Nassim Taleb, é quando arriscamos a própria pele que nos tornamos antifrágeis, pois cada novo concorrente e cada novo produto ou tecnologia que surge no mercado é um agente estressor que provoca uma reflexão e a necessidade de adaptação. Tal fato gera consequências nas pessoas e empresas, tomando-as mais bem preparadas para enfrentar as crises e melhorar o dia a dia e a vida em sociedade.

*Rachel Campagnaro Carminati é Associada III do Instituto Líderes do Amanhã. 

Instituto Liberal

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