O maior mito sobre Fernando Henrique Cardoso

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (n. 1931) completa hoje 95 anos. Em meu “Guia Bibliográfico da Nova Direita”, escrevi, analisando seu livro “A Arte da Política – A História que Vivi”:

“O seu desejo era fazer um governo social democrata, mas que cumprisse o papel de integrar o país ao mercado internacional, o mesmo propósito de outros partidos sociais democratas do mesmo período em outros países. Receou a tendência, após os anos 90, de os países latino-americanos voltarem a optar por um sistema econômico mais estatizante, pretensamente ‘não capitalista e isolado, com Estado forte e bem-estar social amplo’ – que acabou, de fato, sendo feito a partir dos triunfos do bolivarianismo e do Foro de São Paulo. FHC rejeitava o ‘progressismo anticapitalista e profundamente nacionalista’ em vigor no Brasil, ‘alimentando uma visão autárquico-isolacionista’. (…)

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Acusa diferentes setores da sociedade brasileira de cultivar um ódio irracional ao capitalismo, desde jornalistas e congressistas até universitários – que (…) ‘criticam as injustiças sociais, mas acham que os recursos para fazer frente a elas devem sair do bolso dos outros, não do próprio’.

Não obstante, FHC diz que aumentou, em montante geral, a carga tributária; que não diminuiu fundamentalmente os gastos e que usou os famigerados financiamentos do BNDES para sustentar indústrias nacionais em diversos setores.

Nunca quis privatizar a Petrobras, restringindo-se ao que chamou de ‘flexibilização do monopólio’, sujeitando a empresa à concorrência. Sem manifestar convicções liberais ou conservadoras de nenhuma espécie, FHC assumia, no entanto, em sua perspectiva centro-esquerdista, a tarefa das privatizações (…). Mesmo sendo um social democrata, ele sabia que não poderia levar a cabo suas políticas sociais e assistenciais sem equilibrar as finanças.” (LVM Editora, p. 240-241)

Compreendo o apontamento dos aspectos positivos da era tucana, em especial a consolidação do Plano Real, mas é importante enfatizar que FHC não pertence à tradição liberal conservadora, que deve questionar a social democracia como ortodoxia da Nova República e tem referências para isso que não fazem louvações a Lula.

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Lucas Berlanza

Lucas Berlanza

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), colunista e presidente do Instituto Liberal, conselheiro de diversas organizações liberais brasileiras, membro refundador da Sociedade Tocqueville, sócio honorário do Instituto Libercracia, fundador e ex-editor do site Boletim da Liberdade e autor, co-autor e/ou organizador de 11 livros.

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