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Menos FHC e Lula, mais Adam Smith

Lula e Fernando Henrique Cardoso se uniram para expressar suas opiniões contrárias às medidas de redução de barreiras tarifárias do Mercosul, instituídas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Guedes quer que os brasileiros tenham acesso a mais produtos baratos, enquanto o tucano e o petista, não. A ironia é que a dupla esquerdista brasileira defende a mesma política comercial do governo direitista norte-americano Donald J. Trump e, se olhassem os dados americanos, viriam que ela foi um terrível fracasso.

Para atacar o déficit comercial que os EUA tinham com a China, Trump iniciou uma guerra comercial com o país asiático logo que iniciou o seu mandato. Fazendo jus à sua agenda protecionista (que foi sua bandeira nas eleições), o ex-presidente americano impôs impostos de importação contra produtos chineses na casa das centenas de bilhões de dólares. Ele chegou a se descrever como o “homem-tarifa”. E quais foram os resultados?

Uma nova análise da Moody’s Analytics descobriu que apenas cerca de 8 por cento dos custos das tarifas recaíram sobre a China. Em contraste, os consumidores americanos sofreram 92% dos custos. Não podemos dizer que isso é necessariamente uma surpresa. Em 2020, um estudo da National Bureau of Economic Research intitulado Quem está pagando os impostos de importação? Uma perspectiva de longo prazo descobriu que o custo do aumento das tarifas impostas por Trump “foi repassado inteiramente para importadores e consumidores norte-americanos”.

“Se as tarifas permanecerem em vigor, a pressão sobre os varejistas dos EUA provavelmente aumentará, levando a um maior repasse para os preços ao consumidor”, avisa a Moody’s. Haja vista a pressão inflacionária que atinge os EUA no momento, isso é uma péssima perspectiva para a população do país. “Mais de três anos depois que Trump lançou sua guerra comercial e quatro meses depois que o presidente Joe Biden a herdou, as consequências das tarifas não deveriam mais ser objeto de debate”, escreveu Eric Boehm, colunista da Reason Magazine. “As evidências são avassaladoras e unilaterais: os consumidores americanos estão sendo prejudicados.”, concluiu.

É raro ver Paulo Guedes efetivamente tomando alguma medida verdadeiramente liberal e, quando ele o faz, o ministro deve ser apoiado e não criticado. Eu não espero nada de Lula, mas, se há alguém que deveria compreender a importância do livre comércio, é Fernando Henrique Cardoso. A abertura comercial brasileira foi pedra fundamental para combater a inflação e o maestro do processo foi justamente FHC. Vale lembrar que em 1990 as tarifas de importação brasileiras eram em média 32,2% e em 1995 já haviam caído para 12,1%.

Conforme o Correio Braziliense, um dos motivos que levaram FHC e Lula a criticar a atitude de Guedes foi que “a ação pode prejudicar as indústrias do país que faz fronteira com o Brasil”. Ora, é o fim da picada! Já não basta que o brasileiro tenha que sustentar Lula e FHC, agora tem que sustentar também a indústria ineficiente da Argentina? Pergunto se algum mandatário argentino já se preocupou com a saúde financeira da AMBEV ou da Embraer.

Robert Z. Lawrence, da Peterson Institute for International Economics, fez um estudo onde mostrou que a redução de tarifas comerciais é uma tendência global. Nos últimos 30 anos, os países em desenvolvimento reduziram seus impostos sobre produtos estrangeiros, inclusive abaixo do que a Organização Mundial do Comércio exige. Isto ocorreu porque os governos perceberam que é bom estar aberto a produtos estrangeiros ao invés de ficar com políticas mercantilistas do século XVIII. Tendo em vista que A Riqueza das Nações foi escrito há 250 anos, estão um pouco atrasados, mas “antes tarde do que nunca”.

O Brasil não pode ficar de fora dessa tendência global de maior integração das cadeias produtivas e liberdade comercial. Menos FHC e Lula, mais Adam Smith.

*Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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