Lula não é candidato, é presidiário!

Depois de algumas sabatinas e painéis, finalmente aconteceu, na Rede Bandeirantes, o primeiro debate entre os candidatos à presidência da República nas decisivas eleições de 2018. Como produto televisivo, o debate não foi dos mais estimulantes. Com exceção das impagáveis manifestações cômicas do Cabo Daciolo, candidato do Patriota, que parece ter se preparado lendo publicações […]

Depois de algumas sabatinas e painéis, finalmente aconteceu, na Rede Bandeirantes, o primeiro debate entre os candidatos à presidência da República nas decisivas eleições de 2018.

Como produto televisivo, o debate não foi dos mais estimulantes. Com exceção das impagáveis manifestações cômicas do Cabo Daciolo, candidato do Patriota, que parece ter se preparado lendo publicações de “tiozões do Caps Lock” na Internet ou no WhatsApp, e de um ou outro momento interessante, o excesso de candidatos se traduziu em morosidade. Naturalmente, do que se trata aqui não é propriamente do espetáculo, e sim da substância.

Nesse sentido, perceberam-se uma boa e uma má notícia. A boa é que, mais do que em qualquer uma das últimas eleições, o discurso do mercado livre, da desburocratização, da responsabilidade fiscal e da privatização (ressalvada em alto e bom som, até, pelo candidato tucano, sendo costume do PSDB “fugir” da palavra) esteve presente com força. Mais de um postulante, com cores partidárias e ideológicas distintas, abraçou essa linguagem, o que é um ótimo sinal dos tempos.

A notícia ruim é que, ao mesmo tempo, o populismo, a demagogia e as promessas fantasiosas também marcaram presença, assim como a dubiedade rapace. No caso das primeiras, tivemos o pedetista Ciro Gomes prometendo “tirar as pessoas do SPC”, entre outras intermináveis mentiras habilidosamente pronunciadas, e o psolista Guilherme Boulos, bem, sendo ele mesmo, e não é preciso dizer mais nada. No que diz respeito à dubiedade, o problema mais notório foi com o próprio Alckmin, que vacilou ao praticamente assumir que serão preservados os sindicatos “que conseguirem (a aprovação das) as contribuições nas convenções coletivas” – ou seja, exatamente a proposta do Solidariedade para apoiá-lo.

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No entanto, uma constante permanece e estupefaz no comportamento da imprensa brasileira neste período pré-eleitoral, que seria de fazer corar o público estrangeiro. Moderador do debate, o jornalista Boechat abriu o programa declarando que o ex-presidente Lula foi convidado, mas “foi impedido pela justiça de participar”.

Coisa parecida foi dita pela jornalista Miriam Leitão, ao começo de todas as sabatinas da Globo News na semana anterior – desnecessário relembrar o “mico” com a leitura pausada e robótica da nota da Rede Globo sobre o apoio ao regime militar durante a entrevista de Bolsonaro -, quando comentava o seguinte:

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“Boa noite. A Globo News está entrevistando esta semana os candidatos e pré-candidatos à presidência da República mais bem colocados na última pesquisa Ibope de intenção de votos e que estão aptos a participar presencialmente dessas entrevistas. Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT, aparece em primeiro lugar nas pesquisas, mas o ex-presidente não pode dar entrevistas por determinação da justiça. Ele está preso em Curitiba condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro”.

Um cenário em que os principais jornalistas do país abrem programas nas principais emissoras nacionais com comentários como esses não pode ser visto como nada menos que distópico. O que está acontecendo com o Brasil? Sem ler obras como A Corrupção da Inteligência, do dileto amigo professor Flávio Gordon, torna-se absolutamente inviável compreender como foi possível que um país se degradasse, destroçasse tanto a sua dignidade e a mínima nobreza nas suas vozes públicas, no ensino e na comunicação social, a ponto de declarações surreais como essas se tornarem factíveis.

Espanta igualmente que nenhum dos demais candidatos tenha ainda deixado claro, durante as participações, o absurdo de uma candidatura inexistente continuar a ser levada a sério. A “candidatura”, frise-se, de um criminoso condenado, que cumpre pena neste exato momento – parafraseando o cabo Daciolo, “pela glória de Nosso Senhor Jesus”, porque realmente parece um milagre para quem viveu o começo dos anos 2000 ver esse homem atrás das grades.

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É preciso restabelecer a sanidade, é preciso restaurar o mínimo juízo, a mais basilar decência. É preciso explicar o óbvio. O ex-presidente Lula não é candidato a nada a não ser a detento do ano. Ele não é candidato, é um presidiário! Presidiário não pode ser presidente da República. É inacreditável que ainda faça sentido escrever um artigo para dizer isso.

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