Eleitor, lembre-se de que Lula é o STF e o STF é Lula
Nas últimas semanas, o circo no qual se converteu o STF tem se tornado um ônus para Lula, com reflexos em pesquisas recentes que têm apontado uma possível vitória de Flávio Bolsonaro. Como não duvido de que nas próximas semanas o petismo inicie um movimento de descolamento da suprema corte e de Moraes, faz-se mister recordar que eles são uma e só coisa.
Antes de tudo, Lula só se tornou presidente pois a corte decidiu reabilitá-lo eleitoralmente. Chegando à presidência pela terceira vez, Lula não dispunha de governabilidade e, se governou nos últimos quatro anos, foi escorado no tribunal, o qual detém o poder no Brasil hoje. Não se trata de opinião desse réles articulista, mas de fato confesso pelo próprio Lula em julho do ano passado ao dizer que não conseguiria governar sem recorrer ao STF.
No que concerne ao autoritarismo, o governo Lula tem sido um sócio fiel da suprema corte, formando com ela um consórcio autoritário totalmente em linha com as ditaduras historicamente defendidas pelo Partido dos Trabalhadores. O governo atual tem atuado energicamente pela censura nas redes sociais, vem perseguindo críticos e usado a Polícia Federal como uma verdadeira Gestapo para intimidar cidadãos que se manifestam contra Lula.
Do lado da corte, para além do que já mencionei, trago exemplos colhidos apenas nos últimos dias (o leitor pode extrapolá-los para o resto do período precedente).
Um jantar na casa de Moraes, que reuniu Lula e Alcolumbre, teria tido como objeto a discussão sobre formas de fragilizar Mendonça, relator tanto do caso Master quanto do INSS. Essa articulação ocorreu antes de Mendonça pedir que Moraes fosse investigado. Fragilizar Mendonça é de especial interesse de Lula, já que ele é responsável pelos inquéritos que investigam as relações de seu filho com o careca do INSS e a lobista Roberta Luchsinger.
Em conversa com Lula, Gilmar Mendes culpou o governo pela atual crise. Ora, se a corte se mostrou tão prestativa para com o atual mandatário nos últimos anos, só podemos concluir que o decano reclamava de uma possível falta de reciprocidade no promíscuo escambo.
Já nesta semana, o governo articulou uma bela “passada de perna” em Fachin, em conluio com ministros da corte. Enquanto Fachin debatia com o governo uma “solução” para o afastamento de Andrei Rodrigues da PF, conforme determinado por André Mendonça e pela segunda turma, o governo articulou por suas costas o movimento que assistimos na quarta: Dino anulando o afastamento referendado pela segunda turma e passando por cima do presidente da corte.
Isso só nas últimas semanas, meus caros. Lembremos ainda que a turma de Moraes tem protagonizado o esvaziamento do TSE (cujo poder de polícia foi turbinado enquanto ele o presidia) com o fim de deslocar para o STF o poder de decidir sobre questões eleitorais. Moraes já ameaçou, por exemplo, a possibilidade de inegibilidade de Flávio Bolsonaro. Ministros do STF atuando nos bastidores em prol da reeleição de Lula teriam até mesmo chantageado um cacique do centrão para que ele negasse apoio a Flávio, conforme noticiou William Waack. A “neutralidade” de diversas legendas do Centrão no pleito atual, legendas usualmente ávidas por alianças, não pode ser outra coisa senão produto de chantagem e temor de perseguições.
O sistema, como disse em meu último artigo, está podre, e esse sistema possui, atualmente, uma relação simbiótica com Lula. Não existe derrotar um sem derrotar o outro. Lembre-se, eleitor, de que Lula é o STF e o STF é Lula.
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