Cuba entre a escassez e o colapso do socialismo

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A crise econômica cubana expõe, mais uma vez, o contraste entre a retórica socialista do regime e a necessidade recorrente de abertura parcial ao mercado.

A ditadura cubana, desde a época de Fidel Castro, apostou na mais ampla nacionalização de empresas. A economia do país foi, até o fim da União Soviética, extremamente dependente dos subsídios da potência totalitária oriental, com o Partido Comunista de Cuba assumindo-se formalmente como marxista-leninista.

Gradativamente, porém, diante das dificuldades inevitáveis, o espaço concedido à iniciativa privada foi sendo ampliado, sempre com grandes limitações impostas pelo Estado cubano.

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A grave crise atual, diante de um imenso desafio energético, inflação acelerada e escassez de produtos básicos, tudo agravado pela crescente pressão dos EUA sob o governo Trump, forçou o regime presidido hoje por Miguel Díaz-Canel a tomar novas medidas para fazer a economia combalida respirar e tentar estancar a insatisfação interna.

Canel garante que tudo tem por objetivo “continuar o processo de construção socialista”. No fundo, os ditadores socialistas acabam forçados a reconhecer, pelo menos em parte, o que realmente funciona, e as tais “medidas para continuar o socialismo” se resumem claramente a “engolir” mais capitalismo: abertura da economia (incluindo o capital de empresas estatais) para investimentos estrangeiros, até então proibidos, em turismo, agricultura e nos setores imobiliário, bancário e cambial, além de autorização para empreendedores abrirem mais de uma empresa e contratarem mais de 100 funcionários.

Ao pesar terrivelmente nos bolsos dos pobres coitados a quem ele é imposto, o socialismo precisa sempre atenuar sua rota com doses cada vez maiores de capitalismo – mas pode crer que um dia o sonho vai funcionar!

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Lucas Berlanza

Lucas Berlanza

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), colunista e presidente do Instituto Liberal, conselheiro de diversas organizações liberais brasileiras, membro refundador da Sociedade Tocqueville, sócio honorário do Instituto Libercracia, fundador e ex-editor do site Boletim da Liberdade e autor, co-autor e/ou organizador de 11 livros.

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