“Polícia ideológica” e perseguição política: ambiente sombrio em universidade cearense

Doutora em Filosofia, a professora Catarina Rochamonte é nossa amiga pessoal e contribuiu por diversas vezes com o Instituto Liberal com artigos que demonstram o arejamento de suas ideias. A história na qual ela está envolvida merece ser divulgada pela grotesca ilustração que oferece do ambiente sombrio construído pelas militâncias radicais de esquerda em nossos espaços de ensino.

Tudo ganhou seus contornos quando Catarina foi convidada pelo jornal cearense O Povo para fazer análises quinzenais sobre as eleições presidenciais, defendendo sempre suas posições que já conhecemos. Sobretudo quando escreveu artigo diagnosticando a guinada à direita do país, a professora sofreu uma série de ofensas de professores, alunos e até da coordenação do curso de Filosofia no qual leciona.

No grupo de WhatsApp da faculdade de Filosofia da UECE, alunos e professores declaravam abertamente que a professora e um grupo de alunos que se reuniam para estudar a história e pensamento da Igreja estavam se aliando à “corja fascista” e que era preciso haver para ela uma “resposta à altura”.

Os estudantes cristãos se aproximaram da professora Catarina em busca de apoio no período mais crítico das eleições, por estarem sendo hostilizados por militantes, sendo vítimas de autêntico policiamento ideológico na universidade. Fundou-se uma “Ação antifascista” naquela faculdade, na verdade uma espécie de polícia ideológica que constrange, coage e patrulha sistematicamente os que não se alinham ao pensamento político dominante. Sabemos bem que são tachados de fascistas todos os eleitores de Bolsonaro ou que tenham certa afinidade com as ideias de direita.

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Como demonstram prints anexados aos documentos das representações movidas sobre o caso junto ao Ministério Público, as paredes e as carteiras da faculdade chegaram a ser pichadas com dizeres como “fascista vai morrer na faca”, “cristão bom é cristão queimado na cruz” e “Filosofia Medieval é meu ovo”.

Além disso, um dos professores, autointitulado “anti-fascista”, passou a publicar mensagens nas redes sociais dos estudantes associando a opção de voto deles ao apoio ao nazismo e ao fascismo, além de xingá-los de “falsos cristãos” e “cristãos da besta”.

Outro professor, considerando “fascista”, em suas publicações nas redes sociais, todo aquele que pretendesse votar em Bolsonaro, afirmou em evento político-partidário na universidade que tais “fascistas” desejam “matar os gays, os fascistas querem eliminar os negros, os fascistas querem que a mulher ganhe menos”, etc., etc. Já outro docente disse que os fascistas não devem ser temidos e não se deveria ter pudores no seu enfrentamento: “se é na bala é na bala, se é guerra é guerra”. Seria esse o tipo de discurso que gostaríamos de ouvir nas dependências de uma universidade estadual, em atmosfera de disputa eleitoral?

A associação de Catarina aos estudantes não foi perdoada pelos “colegas”, que se puseram a fazer publicações indecorosos e irônicas a respeito da professora. Ela chegou a ser chamada, para nos restringirmos a um exemplo, de “galinha de Hitler”. No seu artigo intitulado “A guinada à direita”, a professora Rochamonte disse que alguns “pseudointelectuais” não compreendem que “se firma uma resistência à devastação moral que décadas de doutrinação de viés materialista, marxista e progressista nos legaram”. Os professores entenderam os comentários como ataques diretos a eles – a carapuça serviu? – e foi aí que o caldo entornou de vez.

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Um deles imediatamente acusou Catarina de ter atacado os demais professores da unidade, instigando-os a interpretar que foram chamados de cretinos e pseudointelectuais. O pior, porém, ele fez no dia 11 de outubro, ao publicar, em comentário à postagem de outro docente sobre a notícia de um assassinato que teria sido motivado por homofobia na Bahia, que a culpa pela morte era de gente como “a sua colega” – isto é, Catarina.

Iniciou-se a partir disso um incitamento explícito ao linchamento virtual. Catarina foi vítima de ataques sórdidos, calúnias, agressões; os colegas a acusaram de ferir a ética acadêmica, de defender a tortura, o machismo, o assassinato e uma porção de bandeiras horríveis que sempre passaram inteiramente longe de suas concepções. Todas as afirmações feitas por Catarina e pelos estudantes vêm acompanhadas de registros em imagem das publicações dos intimidadores, fotografias das pichações e vídeos.

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É evidente que, conhecendo muito bem o que se passa pela cabeça de Catarina, declaro inteira e absoluta solidariedade à caríssima amiga e colaboradora do IL. Não obstante desnecessário, faço questão de frisar isso. Ainda assim, o quadro assustador é muito maior do que o seu drama pessoal. É um registro categórico de uma doença que muitos insistem em negar, querendo fazer parecer que o monstro não é tão feio quanto se aponta.

Sequer sei se podemos falar aqui apenas de “doutrinação ideológica”. Quando se diagnostica um esquema organizado de pressão e intimidação, associando docentes e discentes, com emprego sistemático de calúnia e difamação, parece claro que estamos um passo além. A atmosfera que esses grupos tentam criar na universidade é uma atmosfera genuinamente totalitária.

A má notícia para eles é a mesma que já temos dado há alguns anos e agora assume as raias do indiscutível: nós estamos aqui. Seu império há de ter dias contados.

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