Os netos da revolução cubana

CLIPPING* Carlos Montaner Jr., filho do jornalista e escritor cubano exilado Carlos Alberto Montaner [co-autor do ‘Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano’], lançou no Chile o documentário “Os netos da Revolução cubana”. Ele mesmo concebeu e dirigiu o filme, apresentado no último dia 3 de setembro no think tank Latinoamerica Libre. Como pensa e o que […]

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Carlos Montaner Jr., filho do jornalista e escritor cubano exilado Carlos Alberto Montaner [co-autor do ‘Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano’], lançou no Chile o documentário “Os netos da Revolução cubana”. Ele mesmo concebeu e dirigiu o filme, apresentado no último dia 3 de setembro no think tank Latinoamerica Libre.

Como pensa e o que quer a nova geração de Cuba?

Carlos Montaner Jr. teve que dirigir o filme a distância, por estar proibido de entrar em Cuba. Ele teve equipes no local, gravando às escondidas, aproveitando a ida do cantor colombiano Juanes à Ilha para uma apresentação em setembro do ano passado. Os cinegrafistas entraram em Cuba como turistas e gravaram os depoimentos à noite, quando o medo de mostrar o rosto e de falar com um estrangeiro diminui. Foram entrevistados jovens com menos de 35 anos – estudantes, artistas como Los Aldeanos, Porno para Ricardo, Silvito El Libre (filho do famoso cantor Silvio Rodríguez) e blogueiros como Yoani Sánchez, Claudia Cadelo e Laritza Diversent.

Através das entrevistas, pode-se ver uma juventude frustrada que quer mudanças, mas ao mesmo tempo vê total imobilidade por parte dos mais velhos. As alternativas que servem de esperança são a música, os blogs e os protestos pacíficos contra a falta de liberdade. As reações são as mais diversas, desde o humor até o desafio, desde a vontade de tomar a próxima balsa fugindo de Cuba até a queixa pela precariedade de bens de sobrevivência básicos (alimento, casa). Há também a vontade de usar a Internet, viajar sem empecilhos para o exterior, ou poder se vestir na última moda.

Como muitos jovens acabam fugindo do país, a pergunta que todos se fazem é como poderá sobreviver um país sem jovens. Alguns depoimentos foram gravados no exterior.

O documentário de 60 minutos mostra também os filhos do poder, aqueles que cresceram num ambiente cheio de privilégios por serem parentes de funcionários do regime, mas que também não têm vínculo emocional nem compromisso político com a revolução.

Como disse um dos entrevistados: “talvez não tenhamos ainda um Havel (referência ao intelectual tcheco que liderou a “Revolução de Veludo”, mas os reformistas silenciosos já existem. É preciso continuar dando estímulo e apoio aos que buscam a mudança por via pacífica.”

Imagens do filme.

*Extraído de matéria enviada por Latinoamerica Libre, site do instituto Libertad y Desarollo, Santiago, Chile, 06.09.2010

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