Os mitos sobre o Embargo comercial dos Estados Unidos à Cuba

 

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Há alguns mitos que rondam o Embargo comercial dos Estados Unidos à Cuba, imposto em 1960 pelo então Presidente dos Estados Unidos da América, Dwight David Eisenhower, ainda como um “embargo parcial” em resposta à política de confisco de propriedades de norte-americanos na Ilha. Em 1962, o Presidente dos EUA, John Fitzgerald Kennedy (JFK), decretou o “embargo total” a Cuba, instituindo que produtos cubanos seriam ilegais nos Estados Unidos e criando diversas restrições às exportações de empresas estadunidenses à Ilha.

Atualmente as empresas dos Estados Unidos podem vender alimentos e medicamentos a Cuba e cidadãos norte-americanos podem viajar a Havana, porém, havendo algumas restrições quanto aos grupos que podem aproveitar essa “flexibilização”.

O embargo econômico limita as relações comerciais entre empresas dos Estado Unidos e Cuba e é acusado pelo regime castrista de ser o causador das mazelas na Ilha Cárcere, sendo este o primeiro e maior mito sobre o tema. É fácil constatar que Cuba contorna tranquilamente esse embargo há décadas, primeiro através dos investimento da União Soviética até 1991 e do comércio com o bloco de países que a compunham entre 1972 e 1989. Foram US$3 bilhões ao ano recebidos por Cuba vindos da URSS entre 1970 e 1991. Além disso, Cuba vendia açúcar acima do preço do mercado mundial à URSS e esta lhe vendia petróleo a preços ínfimos.

Mesmo com todos esses recursos Cuba não obteve o crescimento esperado e com o colapso da URSS em 1991 viu sua economia regredir e o PIB cair 35% em 2 anos, sendo a pior crise da história do país. Durante o período da URSS, Cuba também negociava com países como a França, que em 1967 vendeu mercadorias no montante estimado de US$70 milhões e importou de Cuba US$34 milhões em bens.

Após o colapso de 1991 da URSS, Cuba se viu obrigada a gerar novas receitas. Surge a solução com a abertura da Ilha ao turismo e intensificação das relações com outros países como Grã-Bretanha, Venezuela e Brasil. As exportações de níquel, açúcar e café ajudaram Cuba, mas o grande alívio veio com a eleição de Hugo Chávez para Presidente da Venezuela em 1999.

Chávez se aproximou de Fidel Castro e iniciou uma política com Cuba parecida com a mantida pela União Soviética. Atualmente a Venezuela fornece 120 mil barris de petróleo ao dia à Cuba que paga com o envio de profissionais cubanos de setores estratégicos, principalmente da saúde, para atenderem aos pobres na Venezuela. Só em 2008 o comércio com Venezuela chegou aos US$2.698 bilhões, com a China a US$2.457, Canadá US$1.41 bilhão e Espanha US$1.154 bilhão. Em 2013 já bateu US$600 milhões só com o Brasil.

O material humano virou produto de exportação em Cuba, que tem aproximadamente 15 mil profissionais da saúde atuando por todo o mundo, número que aumentará com as importações de médicos cubanos ao Brasil. Na Venezuela o pagamento feito a Cuba é de US$8 por consulta, no Brasil serão R$10 mil mensais, sendo R$7 mil diretamente nas mãos dos Castro. A África do Sul paga US$ 7 mil à Cuba por cada médico. Aproximadamente US$5 bilhões entram em Cuba todos os anos devido à exportação desses profissionais pelo regime castrista. Fora o comércio com outros países e com o próprio Estados Unidos, que atualmente é o 4º maior parceiro comercial de Cuba e o 5º maior fornecedor.

Agora eu pergunto: e o embargo? Mas que embargo? Ora, está claro que o embargo não impede o comércio de Cuba com outros países e até com empresas norte-americanas, logo, não pode ser culpado pelas mazelas econômicas da Ilha Prisão. E todo o dinheiro da URSS? Foi empreendido para criar e manter o oitavo maior exercito do mundo, garantir a manutenção do poder dos Castro e mal administrado, como também são os demais recursos que anualmente entram em Cuba. O modelo socialista é o responsável pela crise econômica na Ilha.

Antes do embargo de 1960, em 1959 para ser exato, entrou em vigor a lei que proibia a compra e venda de carros registrado a partir daquele ano. Até hoje vemos carros antiguíssimos na Ilha. Recentemente o governo de Raul Castro decretou a possibilidade de vender o veículo aos cubanos, mas para isso é necessário enfrentar toda a burocracia cubana, que não é pouca. Ou seja, antes de o Estados Unidos se fechar para Cuba, Fidel estava fechando Cuba aos Estados Unidos.

Dizer até que produtos norte-americanos além de alimentos e medicamentos não consegue chegar à Ilha é incorreto, pois há vídeo games, DVDs, filmes, cópias do sistema Windows, entre outros, normalmente pirateados. Haverá a desculpa de que Cuba foi empurrada à pirataria pelo embargo, mas isso não mudará o fato que os produtos entram do mesmo jeito, com a diferença de que quem está perdendo com isso são as empresas do Estados Unidos.

O Brasil além de financiar o regime castrista através do pagamento pela mão de obra dos médicos cubanos, também empresta dinheiro à Cuba através do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com financiamento à projetos de infraestrutura e operações de crédito direto aos Castro. Só o Porto de Mariel e a Zona Especial de Desenvolvimento (ZED) de Mariel em Cuba custarão R$700 milhões aos cofres brasileiros. Até os irmãos Castro reconhecem que o fracassado modelo socialista não serve mais e é necessário a transição de Cuba para uma economia de mercado mais liberal, sob a desculpa “atualização do socialismo”, Raul Castro implanta reformas nessa direção.

O embargo não é culpado pela economia de Cuba naufragar, mas o próprio governo cubano e seus ideais comunistas que assolam a Ilha desde 1959. Se o embargo econômico fosse retirado, quanto tempo será que o regime castrista duraria sem essa desculpa para esconder suas falhas e o fracasso do seu modelo? Se o socialismo é tão bom, porque 2 milhões de cubanos se refugiaram no Estados Unidos? E esses exilados ajudam a economia de Cuba com doações em dólares para seus parentes na Ilha Prisão, que não tiveram a mesma sorte. Fora as 73 cooperativas autorizadas em 24/09/2013, uma só para a exportação de aves ornamentais que passa dos US$700 mil no país e pretendem chegar ao milhão com essa cooperativa.

Roberto Barricelli

Roberto Barricelli

Assessor de Imprensa do Instituto Liberal e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça. Roberto Lacerda Barricelli é autor de blogs, jornalista, poeta e escritor. Paulistano, assumidamente Liberal, é voluntário na resistência às doutrinas coletivistas e autoritárias.

3 comentários em “Os mitos sobre o Embargo comercial dos Estados Unidos à Cuba

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    07/10/2013 em 12:02 pm
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    Marcos.

    Não há racismo algum! Todos nascidos na América são americanos, posso trocar por cidadãos do Estados Unidos da América (EUA) em artigos futuros. No meu word “estadunidense” não aparece sublinhado. Não darei tratamento especial para ninguém, independente de nacionalidade.

    Grato,

    Roberto

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    06/10/2013 em 11:05 am
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    Gostei do artigo, está interessante e esclarece bem a situação, mas pelo amor de Deus pare de usar a palavra “estadounidense.” Essa é uma palavra que vem do castelhano, não existe em português, prova disso é que meu “auto-correct” do computador já a sublinhou em vermelho como erro. Nós, que somos cidadãos dos Estados Unidos, somos americanos. O adjetivo correto é esse. Os EUA são o único país das Américas (e do mundo) a ter a palavra “América” no seu nome. Quando os britânicos partiam para cá a busca de suas fortunas, seus parentes que ficavam em casa, os denominavam de americanos. A terceira razão pela qual somos chamados de americanos, é que os EUA foram o primeiro país a se tornar independente nas Américas. Os mexicanos odeiam a palavra “estadounidense” pois seu país chama-se Estados Unidos do México, eles acham que esse termo a eles lhe pertence. O termo “norte-americano” não nos descreve pois tanto os EUA, como o México, como Bermuda, e o Canada, abrigam pessoas norte-americanas que não são americanas. Por favor não deixe que o castelhano e a atitude racista daqueles hispano-falantes que nos chamam de “estadounidense” deixe poluir o idioma português e a cultura brasileira. Isso seria vergonhoso, e seria uma vitória generalizada para o Marxismo cultural que assola e destrói o Brasil.

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    04/10/2013 em 6:45 pm
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    É interessante como o embargo, que nem é aplicado com tanta intensidade, é sempre usado pelas testemunhas de Castro como pretexto para o autoritarismo dos imperadores Castro I e Castro II.

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