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Os benditos gastos com a Copa

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Todos os dias abro o jornal e me deparo com alguma notícia sobre os gastos com a copa. As reclamações vêm de todos os lados do espectro político. Há, contudo, uma questão extremamente positiva no que se refere a essa gastança chocante e despudorada. No programa Open Mind, de 1975, Milton Friedman tratava dos gastos do governo americano,  e, em dado momento, afirma: “graças a Deus pelos desperdícios do governo”. Por mais que a assertiva pareça estranha, ela possui uma lógica absolutamente perfeita.

O Professor Friedman explica que, “se o governo está agindo errado, é apenas o desperdício que evita que mal seja maior”. A lógica não poderia ser mais implacável. As populações, de um modo geral – principalmente a nossa –, não se importam com a política nem com o governo. Todos querem viver suas vidinhas sem sobressaltos ou oscilações. Arrisco dizer, generalizando – é claro –, que a liberdade é a preocupação menos importante para o cidadão comum.

Quem luta pela liberdade pode, de certa forma, ficar chocado com a última frase. Mas, infelizmente, essa é a verdade. Diante desse cenário, o argumento de Milton Friedman é irrefutável, pois, não fosse o desperdício governamental, “se os governos estivessem gastando os recursos de forma eficaz, já seriamos todos escravos”.

Imaginem trazer esse racional para a realidade brasileira. Será que a oposição teria alguma oportunidade nas próximas eleições caso o governo tivesse gastado o dinheiro de forma eficaz? A resposta é simples: não teria a menor chance. Vejam que, por incrível que pareça, a revolta contra os gastos com a Copa foram maiores do que a moucas manifestações sobre o mensalão.

Reparem bem, gastar mal o dinheiro dos pagadores de impostos – vou repetir isso até o fim da vida, pois não somos contribuintes – é pior do que um atentado contra a democracia. Aliás, ouso especular, que, caso todos os mensaleiros fossem absolvidos, o povo se limitaria a dizer que “para variar acabou em pizza”. Por essas razões, sou obrigado a concordar com Milton Friedman e agradeço, efusivamente, “a Deus pelos desperdícios do Governo”.

Leonardo Correa

Leonardo Correa

Advogado e LLM pela University of Pennsylvania, articulista no Instituto Liberal.