Oito citações estúpidas para refletir sobre o Brasil

Certa vez, o escritor britânico C.S. Lewis disse que viajava de “costas para o motor”. Li isso em um de seus vários livros que tenho em casa – se não me engano, em A Abolição do Homem. Pois bem, na maioria dos automóveis, a máquina propulsora se localiza na dianteira. Assim sendo, o autor de As Crônicas de Nárnia seguia para frente olhando para trás – obviamente, no sentido figurado.

Lewis, que entre outras ocupações foi professor de literatura na renomada Oxford e mais tarde em Cambridge, era um exímio crítico literário. Ao proferir isso, portanto, quis alertar para a importância de não nos esquecermos de ler os pensadores clássicos. Contudo, ensinava ele, autores contemporâneos não deveriam ser deixados de lado. Até porque Lewis era um deles.

Seguindo a ideia do amigo de Tolkien, busquei oito sentenças de uma frasista de mão cheia – que atuou no passado recente e hoje está a vagar por aí – que julgo importantes para uma reflexão sobre os tempos atuais no Brasil.

Então vamos:

1) “[…] até agora, a energia hidrelétrica é a mais barata, em termos do que ela dura com a manutenção e também pelo fato da água ser gratuita e da gente poder estocar. O vento podia ser isso também, mas você não conseguiu ainda tecnologia para estocar vento […] porque o vento, ele é diferente em horas do dia. Então vamos supor que vente mais na hora da noite. Como é que eu faria para estocar isso?”.

2)DILMA: Alô.
LULA: Alô.
DILMA: Lula, deixa eu te falar uma coisa.
LULA: Fala querida. “Ahn”
DILMA: Seguinte, eu tô mandando o “BESSIAS” junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso
de necessidade, que é o Termo de Posse, tá?!
LULA: “Uhum”. Tá bom, tá bom.
DILMA: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
LULA: Tá bom, eu tô aqui, eu fico aguardando.
DILMA: Tá?!
LULA: Tá bom.
DILMA: Tchau
LULA Tchau, querida.

3) “Não acredito que tenha alguém acima da corrupção [sic]. Acho que todo mundo pode cometer corrupção”.

4) “Eu acho, Elisabeth, que seria interessante que você olhasse entre os vários cursos que tem sido oferecidos do Pronatec, inclusive pelo Senai”. (detalhe: foi uma resposta da candidata à presidência da República no debate na Globo a uma economista de 55 anos desempregada. Sim, Dilma ofereceu como solução a ela um curso técnico do Pronatec)

5)”Nós não vamos colocar uma meta. Nós vamos deixar uma meta aberta. Quando a gente atingir a meta, nós dobramos a meta.”

6) “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder.”

7) “Acho uma das maiores conquistas do Brasil. (…) Eu acho que a importância da bola é justamente essa, o símbolo da capacidade que nos distingue como… Nós somos do gênero humano, da espécie Sapiens. Então, para mim essa bola é um símbolo da nossa evolução. Quando nós criamos uma bola dessas, nós nos transformamos em Homo sapiens ou ‘mulheres sapiens’.”

8) “Hoje, estou saudando a mandioca, uma das maiores conquistas de nosso país”.

Reconheceu as frases, não é mesmo? Inconfundíveis!

Calma, caro leitor. Sei que na abertura do texto te deixei com água na boca.

Certamente, assim que me comprometi a citar frases de um pensador que nos ajudam a refletir sobre o Brasil, você pensou em Adam Smith, Edmund Burke, Gilbert Chesterton, no próprio C.S. Lewis, em Roger Scruton, Thatcher, Reagan, em nossos brasileiros politicamente nada corretos Nelson Rodrigues e Paulo Francis e outros tantos gigantes. Porém, ressalto, também falei em “passado recente” e que o fantasma está a “vagar” por aí… que decepção, eu sei.

Todavia, e assim me justifico, entendo que jamais devemos esquecer, também, os maus exemplos do passado.

E Dilma está viva, mas já morreu política e moralmente. Apenas não se deu conta disso. Foi, é e sempre será uma mancha na história política do Brasil.

Hoje anda como um zumbi político a palpitar por aí. Com todas as mordomias de um ex-presidente, claro. Dilma, portanto, é a antítese do que se entende por governar com retidão e honra.

Como Lewis, viajo de costas para o motor e, ao ver o atoleiro do qual saímos, sinto um alívio. Imensurável foi o estrago feito por um governo que falava em uma Pátria Educadora de seus filhos, mas que, na prática, agiu como os cananeus, que sacrificavam suas crianças ao deus Moloque.

Sigo um perfil crítico em relação ao governo Bolsonaro, pois o bom conservador é cético, desconfia sempre. Espero – com ardente expectativa – que nosso presidente atual seja o oposto do que Dilma foi e que, principalmente, não seja leniente com qualquer corrupção ou pilantragem.

A começar por manter um ministro com histórico de caixa dois.

Sobre frases, Bolsonaro já soltou algumas pérolas, mas nada comparado a estocar vento.

Oremos.

Ianker Zimmer

Ianker Zimmer

Jornalista diplomado pela Universidade Feevale (RS). Trabalhou no Jornal NH e foi gestor de negócios da Rádio ABC. Ambos veículos do Grupo Editorial Sinos. Atualmente, é colunista do Instituto Liberal, do site Opinião & Crítica e trabalha como assessor de imprensa e comunicação.