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O que acontece quando seu corpo não é seu

JOÃO LUIZ MAUAD *

De acordo com o jornal Chicago Tribune, uma advogada que manteve relações sexuais em troca de material de escritório para a prática jurídica e, posteriormente, se declarou culpada de acusações de prostituição, concordou em ter sua licença profissional suspensa por três anos…

Reema Bajaj, 27, graduada pela Universidade do Norte de Illinois, que se tornou advogada licenciada em 2010, trabalhou como garota de programa, entre 2005 e 2011, de acordo com a queixa apresentada contra ela pelo procurador da Comissão Disciplinar de Registros.

Ela teria postado anúncios online, sob o codinome Nikita, e aceitado dinheiro, de pelo menos dois homens, além de DVDs, cartões de presentes e suprimentos para seu escritório de advocacia em Sycamore, de acordo com a queixa do procurador.

Segundo os registros, Bajaj se declarou culpada de prostituição no ano passado, em Dekalb County, por um encontro ocorrido antes de se tornar advogada. Por conta disso, ela foi condenada a 50 horas de serviço comunitário, além de pagar US $ 2.500 em multas.

(…)

O acordo de Bajaj para ter sua licença de advogada suspensa por três anos está previsto para ser homologado numa reunião do Conselho Disciplinar, no final deste mês. Se o Conselho aprovar o acordo, este será então enviado para o Supremo Tribunal de Illinois, que tem a autoridade final sobre o assunto.

Sob o ponto de vista do liberalismo, é um rematado absurdo que alguém seja punido por fazer do seu corpo o que bem entender, desde que não prejudique ninguém com isso.  Reema poderia vender seu corpo trabalhando horas a fio, sob sol escaldante ou a centenas de metros abaixo da superfície, em condições pouco salubres, e ninguém se incomodaria com isso.  Ela poderia ainda vender seu corpo limpando fossas nojentas e ninguém faria qualquer crítica.  Pelo contrário, a sociedade possivelmente a aplaudiria pelo trabalho árduo.  Mas ela não pode vender o meu corpo fazendo sexo com estranhos.  Afinal, a quem pertence o seu corpo, a ela ou ao estado?

O segundo ponto que chama a atenção nessa notícia esdrúxula é o fato de a acusada haver aceitado o tal acordo.  De fato, para quem conhece um pouco do sistema jurídico americano, o acordo deve ter sido um bom negócio e provavelmente a alternativa, para ela, seria bem pior.

Por último, uma perguntinha singela: o que será as “autoridades” responsáveis imaginam que Reema vai fazer para sobreviver, durante esse tempo em que ficará impedida de advogar?  Será que, com a experiência que já adquiriu no mercado, ela vai preferir trabalhar como faxineira, baby-sitter ou caixa do WalMart?  Eu duvido.  Hipocrisia pouca é bobagem.

* ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

Instituto Liberal

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