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O que a figurinha lendária do Neymar nos ensina sobre o livre mercado

Desde a última Copa do Mundo de Futebolpassaram-se quatro anos e chegamos a mais uma competição. Assim, vem à tona a tradição da compra de figurinhas pelos colecionadores. O primeiro álbum oficial foi lançado em 1970 pela Panini Brasil, e a tradição se mantém como uma paixão passada ao longo das gerações, sobretudo pelo fato de o país possuir uma cultura forte relacionada ao futebol. Assim, o álbum completo da Copa do Catar terá 670 cromos, sendo 50 figurinhas especiais e 80 raras.

O álbum pode ser adquirido através das bancas de jornais por R$ 12,00 reais ou R$ 44,90 reais, na versão de capa dura. Com relação às figurinhas, são vendidas separadamente em pacotes por R$4,00 reais, contendo cinco unidades cada. As do tipo Legends, que podem ser encontradas nas categorias bronze, prata e ouro, repercutiram na internet nos últimos dias, especialmente depois de uma figurinha lendária do jogador Neymar, da seleção brasileira, ter sido anunciada por um vendedor com o preço de R$9 mil reais no Mercado Livre e na OLX.

Essa situação deixou muitos internautas sem entender o motivo de ofertas tão altas. De acordo com Ivan Faria, CEO da Panini Brasil e América Latina, empresa responsável pelos álbuns, não é possível atestar a frequência das figurinhas extras. Colecionadores têm comentado que o cromo ouro de um desses 20 jogadores apareceria na média de 1 para cerca de 2 mil pacotes. Entretanto, o que explica uma figurinha que pode ser comprada por R$4,00 reais sofrer uma valorização tão grande entre os colecionadores?

A resposta para essa pergunta é a lei básica da economia: a Lei da Oferta e da Procura. Desenvolvida por Adam Smith, ela explica que o preço de um produto é determinado pela quantidade disponível no mercado. Nessa perspectiva, quanto maior for a escassez do produto, maior valor ele receberá. No capítulo Inflação da obra As seis lições, Mises nos apresenta um case prático relacionado a isso: “Se a oferta de caviar fosse tão abundante quanto a de batatas, o preço do caviar – isto é, a relação de troca entre caviar e dinheiro, ou entre caviar e outras mercadorias – se alteraria consideravelmente. Nesse caso, seria possível adquiri-lo a um preço muito menor que o exigido hoje”. Assim, pode-se compreender o motivo para a figurinha do Neymar estar tão valorizada e visada pelos colecionadores. Assim, pode-se compreender o motivo para a figurinha do Neymar estar tão valorizada e visada pelos colecionadores. Afinal, quanto mais raro o produto e maior a busca que ele possui pelos consumidores, maior o valor que será atribuído pelo mercado

Ocorre que os elevados valores anunciados por alguns vendedores e colecionadores gerou grande repercussão relativa. Isso porque, para os críticos, seria ilógico atribuir um valor tão alto para “simples figurinha”. Entretanto, em uma economia pautada no livre mercado, situações como essa são bem comuns. Isso porque o fornecedor pode anunciar o seu produto pelo preço que quiser. Contudo, quem irá ditar se o valor daquele produto é ou não válido, será o consumidor.

Afinal, no livre mercado, o consumidor é quem avalia o valor do produto. No livro Definindo a Liberdade, o excongressista norte-americano Ron Paul defendeu “Acredito que todos têm o direito natural de gastar seu dinheiro do jeito que melhor lhe convém, seja em bens estrangeiros ou nacionais. Se os tênis da China custam US$20, mas se fabricados nos Estados Unidos, custam US$100, por que punir os pobres a fim de proteger a indústria nacional?”

Não obstante, de o valor vendido nas bancas de jornais, apenas 20% das vendas ficam com os jornaleiros. O restante vai para a gráfica licenciada, a Panini, e a própria FIFA. A diferença do lucro do jornaleiro para o vendedor de figurinhas raras é que um vende um produto com alta oferta e o outro com oferta restrita. Logo, o lucro também SERÁ diferente.

Portanto, o livre mercado funciona desta maneira, enquanto houver a escassez do produto e a alta na procura dos consumidores, maior será o preço. Contudo, caso as figurinhas se tornem mais fáceis de serem encontradas, o preço sofrerá uma queda,porque teremos mais pessoas dispostas a vender o produto e para se tornar atrativo ao consumidor, será necessário reduzir o preço. Assim, com a incerteza e o desconhecimento de quantas figurinhas raras serão lançadas, o “novo ativo” tende a continuar valorizado no mercado dos apaixonados pelo futebol.

Mateus OliveiraAssociado ll Instituto Líderes do Amanhã.

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