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“O poder dos modelos”, de Chris Zook e James Allen

O livro  O poder dos modelos replicáveis – a construção de negócios duradouros em um mundo em constante transformação, escrito por Chris Zook e James Allen, sócios da renomada consultoria Bain & Company, é baseado em um trabalho envolvendo bancos de dados de 200 empresas e entrevistas com executivos, no qual foram analisados diferentes fatores de estratégia em busca de Modelos Replicáveis de sucesso. A relevância deste trabalho, com foco em estratégia empresarial, se torna bastante evidente quando destaca que a natureza de uma estratégia bem-sucedida tem mudado. Primeiro, atualmente, estratégia trata-se mais de uma direção geral e poucas iniciativas críticas do que de um plano detalhado. Segundo, atualmente, a estratégia consiste menos em predição de como o mundo mudará, algo cada vez mais difícil devido à volatilidade e complexidade, e mais em ser capaz de testar, de aprender, de mudar e de adaptar-se com rapidez.

Diante desse contexto, Chris Zook e James Allen definiram três princípios encontrados que determinam a capacidade de modelo replicável. O primeiro princípio é ter um core bem diferenciado. A diferenciação é tratada como a essência da estratégia, pois é a causa da vantagem competitiva e o principal vetor da lucratividade relativa das empresas. Segundo os autores, as empresas podem se diferenciar dos seus concorrentes de três maneiras: superioridade da economia de custos, singularidade dos atributos dos produtos e relevância de posição em um sistema econômico. Essa diferenciação fica evidente quando são detalhados os sistemas gerenciais, capacidades operacionais e recursos exclusivos. Além das fontes de diferenciação, neste princípio, os autores tratam dos métodos (negócios isolados, negócios adjacentes e negócios com core múltiplo) e mercados (novos produtos, novos clientes, novos geografias e novos negócios) onde podem ser replicadas essa diferenciação.

O segundo princípio – regras não negociáveis claras – trata da declaração de princípios que geram o entendimento comum, pela gestão e pelos empregados, dos valores centrais da empresa e dos principais critérios adotados para direcionar as escolhas no processo decisório. Dentro desse princípio, os autores citam algumas características importantes sobre essas regras: i) conectam as ações de linha de frente, traduzindo a voz do comandante para a base; ii) contribuem para decisões difíceis com consequências econômicas reais; iii) reforçam vantagens competitivas poderosas da empresa; iv) podem ser replicadas em novos mercados; v) são fontes de motivação; vi) reforçam as regras umas às outras; vii) geram energia positiva e são fonte de orgulho para os colaboradores.

O terceiro princípio – aprendizado em loop fechado – trata da capacidade de resiliência e adaptação como vantagem competitiva, ou seja, perceber a mudança e adaptar-se rapidamente. Esse princípio está vinculado a sistemas e processos bem desenvolvidos que geram aprendizado, capacidade de reinvenção e impulsionam melhorias contínuas em todo o negócio, com transparência e consistência. Essa capacidade é cada vez mais relevante em um mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) e está bastante relacionada à capacidade de gerenciar riscos.

Para garantir que esses princípios permeiem todo o negócio, há um papel fundamental da liderança, retratado no capitulo “Papel da Liderança: Liberdade ou Estrutura”. Os autores estruturam de forma pragmática as melhores práticas de liderança para cada princípio dos modelos replicáveis. Para o principio 1, o papel da liderança é: i) dar foco ao que realmente importa, ou seja, direcionar prioridades; ii) vincular passado e futuro – estratégia calcada no legado da empresa. Para o segundo princípio, tratam de fortalecimento da cultura: i) estimular cocriação e comunicação; ii) Apoio por meio de KPI´s, recompensas. Por fim, para princípio 3: i) criação de processos para forçar o feedback; e ii) desenvolver capacidades para testar e adaptar.

O livro finaliza com o capítulo “O triunfo da simplicidade”. Nesse capitulo, Chris Zook e James Allen discorrem que os princípios estruturais dos Modelos Replicáveis são capazes de reduzir a complexidade organizacional. A diferenciação replicável do primeiro princípio facilita a gestão da rotina por meio da criação e da adoção de indicadores. As crenças comuns do segundo princípio traduzem a voz do comandante, propiciam maior transparência e aprendizado. Por fim, a capacidade de adaptação do terceiro princípio impulsiona, toda a empresa a percorrer a curva de experiência, de forma ágil, gerando diferencial competitivo.

Conforme relatado pelos autores, sobre empresas duradouras, “Elas chegarão mais rápido à bola que os concorrentes. Elas serão melhores colegas de equipe para as parceiras do setor. E serão locais de trabalho mais motivadores e gratificantes para os empregados – talvez o benefício mais importante de todos. E muito provável que se tornem os melhores lugares nos quais investir para construir riqueza ou para fazer carreira. Ano após ano”. Certamente, empresas que dominarem esses três princípios de diferenciação direcionadores de cultura sólidos e adaptabilidade terão grandes vantagens competitivas.

*Alberto Souza Vieira é associado II do Instituto Líderes do Amanhã. 

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