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O petismo de Marcelo Freixo e a destruição de Bolsonaro

Não foram poucas as vezes em que, recorrendo a atalhos retóricos, necessários em conversações breves – e sempre convenientemente encarados como reducionismos criminosos -, ao equiparar posições dos partidos de extrema esquerda como um todo, especialmente PT e PSOL, recebi respostas como: “dá licença que não sou petista, sou psolista, eu fecho com Freixo”.

Concebo que uma força política conceda apoio a outra por uma imposição das circunstâncias para derrotar um inimigo maior. Não foi outra coisa que liberais e conservadores de diversos matizes tiveram que fazer ao apoiar os sociais democratas do PSDB contra o PT na maioria das últimas eleições, por exemplo. No entanto, o que aconteceu no evento de comemoração dos 40 anos do PT no último dia 8 vai um tanto além disso.

Que esperneiem os psolistas, mas Marcelo Freixo, seu ídolo no Rio de Janeiro, que ameaça mais uma vez nossa cidade com sua provável candidatura à prefeitura com apoio do partido de Lula, Dilma, Gleisi e Lindbergh (além de Benedita da Silva, sua possível vice), é, para todos os efeitos práticos, um autêntico petista.

Exagero? Vejamos… O deputado esteve no evento, saudou todos os petistas presentes e fez um discurso nauseante de cerca de quinze minutos. Assisti à peça de oratória do professor de História e deputado socialista (com socialista não vão implicar, certo? Está no nome do partido…).

Pois bem. Disse Freixo na ocasião que “defender o PT não é algo que cabe apenas aos petistas. Defender o PT é algo que cabe a todos que têm compromisso com a democracia”. Concordam com Freixo, certamente, todas as vítimas dos regimes ditatoriais que o PT afagou, como os venezuelanos oprimidos pela tirania chavista que o PT chancelou e patrocinou.

Disse ainda que é muito importante celebrar e festejar os 40 anos do PT, porque “nós (a esquerda) gostamos de festa, quem não gosta de alegria são eles (a direita). Nós gostamos de humor, nós gostamos de namorar, nós gostamos de tudo isso”. Creio que poucas vezes um político disse algo tão infantil, que não merece nenhum comentário adicional de minha parte; mas Freixo insistiu: “É importante que nessa data a gente possa ter entre nós o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em liberdade, presente aqui. Essa também não é uma vitória somente do PT. É uma vitória da democracia e de quem não abre mão de um elemento fundamental na vida, que é a esperança”. Ou seja, colocar um criminoso, que assaltou todo um país, atrás das grades a partir do devido processo legal é um atentado à democracia. Bom mesmo é ter esse bandido livre, ao seu lado, tirando selfies sorridente…

Depois de uma vazia saudação ao pedagogo marxista Paulo Freire, Freixo disse que o método é bom não para aprender a escrever “certo ou errado”, mas para “conseguir ler o mundo” e “ter consciência política”, para “conseguir entender que educação é troca e é construir um mundo mais justo”. Freixo, educação na escola é para aprender sim ferramentas necessárias à vida em sociedade, mas é sobretudo para aprender a ler, escrever, fazer contas, ter ferramentas cognitivas e informações de base para encarar a vida profissional. Qualquer um que conheça o abecedário sobre o educador que adorava Mao Tsé Tung e Antonio Gramsci sabe que essas palavras bonitas são a senha para instrumentalizar alunos para um projeto político nefasto.

Não entrarei no mérito das críticas feitas por Freixo ao presidente Jair Bolsonaro e à sua família, pois não é o foco aqui, mas é no mínimo gozado que Marcelo Freixo, ao lado de Lula, se escandalize ao apontar a alegada associação do clã do mandatário atual com os criminosos das milícias. Quem eles são para falar alguma coisa sobre crime, que não os maiores aliados dos bandidos deste país, quando não com a prática direta de malfeitos objetivos, com suas políticas lenientes?

Em suma, Marcelo Freixo tem o mesmo amor pela justiça e as leis que Lula e seus sequazes têm. Freixo tem a mesma concepção de educação que eles. Tem também a mesma tediosa visão do que seja a direita e do que seja o compromisso democrático. Para completar, ao final de sua fala, Freixo disse que um setor pretensamente “não-nazista” da direita, um setor autointitulado democrático, deve ser chamado à atenção por aceitar o governo atual “porque está pensando na bolsa ou no mercado”. Entrementes, sob esse pretexto, está esse canalha – porque essa é a palavra que merece um farsante que adota tal gênero de discurso – se vinculando a uma corja de pretensões autoritárias que concretamente ameaçou as pretensões liberais-democráticas brasileiras e ajudou a aniquilar as instituições entre nossos sofridos vizinhos.

Marcelo Freixo é um petista e ponto final. Como tal deve ser tratado nas urnas por todo cidadão consciente. Ele já fez sua escolha. Para bom entendedor, meia palavra basta.

Reservo para o final, entretanto, as palavras de Freixo nesse maldito discurso que mais reverberaram pelas redes sociais:

“Eu honestamente acho que nós não temos que resistir ao governo Bolsonaro. Nós temos que destruir o governo Bolsonaro. Porque a ideia de resistir é a ideia de ganhar tempo. A palavra resistência é linda, faz parte do vocabulário da esquerda, mas nesse momento a gente precisa mais. (…) Nós precisamos, para sobrevivermos, destruir o governo Bolsonaro, mas não em nome dos nossos partidos e sim em nome do nosso povo”.

Ao contrário de muitos amigos, considero natural que Freixo diga isso. Ele tem o direito. Por anos, nós dissemos que o lulopetismo precisava ser destruído e, finalmente, que o governo Dilma não tinha que ser enfrentado, mas sim aniquilado, através do impeachment. Era verdade e não me arrependo de ter endossado esse discurso. Natural que agora seja a vez deles, os petistas, incluindo Marcelo Freixo, de quererem destruir quaisquer forças políticas que tenham ajudado a interromper seu projeto tirânico de poder.

O que eu realmente critico é que haja dois pesos e duas medidas. Ao dizer que queríamos destruir uma sequência de governos que devastaram a economia, que protagonizaram e comandaram os maiores escândalos de corrupção da história do planeta, que propuseram políticas de regulação da mídia e desfiguraram a democracia representativa através do mensalão, que ampararam projetos ditatoriais fora do Brasil, que assaltaram os cofres públicos em níveis monumentais que fariam os populistas dos anos 30 corarem, somos considerados fascistas truculentos da extrema direita. Por que Freixo e seus amiguinhos são cordeirinhos idolatrados pelos puxa-sacos da beautiful people? Por que esse não é considerado um discurso de ódio?

Abaixo a hipocrisia. Abaixo o PT e o PSOL. Abaixo Marcelo Freixo, pelo bem da liberdade, do Rio e do Brasil.

Lucas Berlanza

Lucas Berlanza

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Berlanza é editor dos sites “Sentinela Lacerdista” e “Boletim da Liberdade” e autor dos livros "Lacerda: A Virtude da Polêmica" e “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”.