O mundo está ao contrário e ninguém reparou? Ou: A meritocracia está fora de moda?

GUILHERME AUGUSTO FREGAPINI *

Navegando pela internet essa manhã me deparo com a seguinte notícia: Governo restringe número de alunos de colégios militares que podem receber premiação nas olimpíadas de matemática!

O regulamento que disciplina a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas determina que:

7.2. Para efeitos de premiação, serão denominadas escolas seletivas as escolas que na admissão de alunos:

   a. realizam processo de seleção por meio de provas ou concursos; ou

  b. priorizam o acesso a filhos de militares, a filhos de professores universitários ou a filhos de outras categorias profissionais.

7.4.a. Medalhas de Ouro: Nos níveis 1 e 2, serão concedidas medalhas de ouro aos 200 (duzentos) alunos que obtiverem as maiores notas na prova da Segunda Fase de cada um destes níveis. No Nível 3, serão concedidas medalhas de ouro aos 100 (cem) alunos que obtiverem as maiores notas na prova da Segunda Fase do Nível 3. Conceder-se-á no máximo 40 (quarenta) medalhas de ouro a alunos de escolas seletivas no Nível 1, 40 (quarenta) medalhas de ouro a alunos de escolas seletivas no Nível 2 e 50 (cinquenta) medalhas de ouro a alunos de escolas seletivas no Nível 3.

A informação vai justamente ao encontro dos argumentos trazidos por Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, que, em artigo publicado no jornal O Globo, afirmou: “parece haver algo de muito suspeito no reino das políticas públicas quando o talento, o das empresas e também o das pessoas, deixa de ser reconhecido e recompensado. A mensagem típica nas medalhas concedidas a estudantes e esportistas, “honra ao mérito”, vem caindo em desuso com enorme velocidade, e dando lugar a uma nova cultura que canhestramente utiliza os dogmas da inclusão e da igualdade em detrimento de qualquer distinção pelo mérito; premiações e bonificações têm sido crescentemente tratadas como formas neoliberais de discriminação.

Ou seja, no caso da olimpíada de matemática, aquele aluno que tiver um esforço além dos demais e for oriundo de “escola seletiva” pode não ter seu mérito reconhecido simplesmente porque o governo, através de uma canetada, decidiu criar barreiras ao merecimento.

Para Rodrigo Constantino, “uma das principais teses do liberalismo em geral é que o mecanismo de incentivos importa. O ser humano espera ser tratado da mesma forma se produzir o mesmo resultado.”

O comunismo/socialismo ruiu devido a uma estrutura de incentivos econômicos em dessintonia com a natureza humana. E eis que surge os também errôneos incentivos no âmbito educacional.

Vale lembrar que, em 2010, entre os 200 primeiros colocados na citada olimpíada, 76 eram de escolas militares. Em 2012, já com a nova regra em vigor, esse número se reduziu para 38.

Que o governo cria barreiras na economia já não é novidade. No âmbito da educação, também não. Basta ver o sistema de cotas raciais nas universidades. E assim, sob argumentos coletivistas, sacrificam-se os indivíduos para se alcançar o “bem maior”. Coincidentemente, ou não, sobe, pela primeira vez em 15 anos, a taxa de analfabetismo no brasil.

Brasileiro é um povo muito sem educação. E o governo não ajuda.

* ADVOGADO

Instituto Liberal

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