O Ministro tirou férias

ARTHUR CHAGAS DINIZ*

Com um ano de intervalo, como já é de praxe, repetem-se, em algumas regiões do País, as avalanches, enchentes, destruição e morte causadas pelas conhecidas chuvas de verão. O que estamos vivenciando em 2012 não é mais do que uma trágica repetição do acontecido em anos anteriores.

As causas são conhecidas e dentre elas avulta a construção de casas e casebres em beiras de rios e de encostas de montanha. A favela sobe o morro atrás de lugares não contestados pelos proprietários, não fiscalizados pelas prefeituras e tacitamente autorizados pelos políticos de plantão. O mais dramático é que são desastres previsíveis que comovem a população, mas não o emburrecido cérebro do que se convencionou chamar de “a base aliada”.

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Agora, um dos integrantes do atual governo e responsável direto, no topo da linha, pelos desastres, conseqüências e – imaginam-se – providências, o ministro ecológico Bezerra Coelho, pernambucano que dedicou majoritariamente os recursos da Integração Nacional para suas bases eleitorais em Pernambuco, é despertado de suas oportunas férias (todos os anos os desastres ambientais ocorrem no verão) para explicar não só a concentração de verbas como, e especialmente, porque não fez nada para prevenir e reparar os danos causados pelas enchentes do verão passado.

Às cidades fluminenses, nomeadamente Friburgo e Teresópolis, vão juntar-se cidades mineiras da importância de Ouro Preto. O chamado governo de coalizão, através do qual partidos políticos ganham capitanias hereditárias em determinada especialidade, está tornando evidentes os desastres morais e ecológicos que decorrem do fatiamento eleitoral.

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É verdade que, passados os efeitos diretos da crise ecológica e moral, o Governo conta com um Judiciário compreensivo e um Legislativo bem pago. Ainda assim, acho que vão botar o Coelho para correr.

O ministro de Integração Nacional crê que os desastres naturais de verão são tão imprevisíveis quanto o tsunami que abalou o Japão. Se eles, japoneses, fossem tão letárgicos como nós, ainda hoje estariam apenas chorando as vítimas. Não precisa ir tão longe: o terremoto que ocorreu no Chile precisaria de 4 gerações de brasileiros para recuperação. E trocar, pelo menos, uns 40 ministros da base aliada. Gente despreparada e descansada.

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*PRESIDENTE DO INSTITUTO LIBERAL

fonte da imagem: Wikipédia

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