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O lucro é a consequência de servir a outras pessoas

Empreendedores bem-sucedidos não acordam pela manhã pensando “quanto dinheiro eu vou ganhar hoje?” Eles nem mesmo começam seus negócios pensando em dinheiro em primeiro lugar.

Empreendedores tentam resolver algum problema.

Um pequeno mercado de rua procura resolver o problema de distribuição de alimentos na vizinhança. O dono de um carrinho de cachorro-quente resolve o problema de servir comida barata para quem tem pressa. O Google procura resolver o problema de encontrar informações no oceano que se tornou a Internet. A Ford procura resolver o problema de mobilidade.

Sua primeira preocupação é o problema a resolver, mas é óbvio que todos eles pensam em lucros!

Eu posso gastar meu tempo e meus recursos tentando resolver os problemas alheios de graça. Isso se chama caridade, é uma atitude generosa e admirável; mas, se os empreendedores não focarem nos lucros, terão sérios problemas.

Primeiro, lucros promovem um incentivo para que as pessoas tentem resolver problemas. Mesmo a pessoa mais egoísta do mundo vai precisar resolver o problema de alguém se quiser se beneficiar com lucros no mercado.

Segundo, lucros comunicam para o empreendedor o que as pessoas estão achando da sua solução. Ford, GM, Tesla, todas atuam para resolver o mesmo problema, cada uma à sua maneira. As pessoas “votam” com seu dinheiro naquela empresa que lhes parece prover a melhor implementação. A solução mais votada tende a auferir o maior lucro.

Terceiro, lucros mantém a operação de solução de problemas funcionando ao longo do tempo. Ninguém quer comprar um carro para depois não conseguir encontrar peças de reparo porque a companhia que os fabricava foi à falência.

Lucros garantem que continuemos melhorando como sociedade ao longo do tempo.

Em uma operação pouco lucrativa, o empreendedor encontra os meios para manter a empresa funcionando, mas ele não consegue melhorar ao longo do tempo. É como se aquela solução ficasse congelada no tempo.

Você quer que alguém desenvolva carros elétricos para melhorar a questão ambiental? Você quer que alguém invente novos materiais biodegradáveis para substituir os atuais plásticos? Os problemas não param de surgir ou mudar de roupagem. Precisamos de lucros para financiar a pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos e tecnologias.

Você se preocupa com os baixos salários pagos aos trabalhadores? Para pagar melhores salários, qualquer companhia precisa construir uma rede de segurança para não ir à falência. Nenhum empreendedor pode adivinhar o custo de suas matérias-primas no futuro nem prever situações extraordinárias como o fechamento do comércio por causa de uma pandemia. Os lucros do passado provém a margem de segurança para que a operação possa continuar a funcionar quando as coisas dão errado.

Os lucros são um mecanismo de melhoria da vida das pessoas.

Em um mercado livre e justo, você só pode lucrar se

  1. resolver o problema de outras pessoas; e
  2. fizer isso de uma forma razoavelmente eficiente.

Quem defende o livre mercado não discute que as pessoas são mais importantes que os lucros. A busca pelo lucro, entretanto, não compete com a necessidade de servir às pessoas.

Ao contrário, lucros são a consequência de servir às pessoas.

Lucros são benéficos para toda a sociedade.

José Edil G. de Medeiros

José Edil G. de Medeiros

É professor da Universidade de Brasília, atual chefe do Departamento de Engenharia Elétrica. Foi Presidente do Instituto de Formação de Líderes de Brasília (IFL Brasília) e é membro da diretoria executiva do IFL Brasil.